quinta-feira, 3 de setembro de 2026

Ruína de nossa Senhora do Bonsucesso

Professores e funcionários da Escola Estadual de Ensino Médio Senador José Gaudêncio. Serra Branca PB

Em um dia como hoje, 1º de setembro de 1951, nascia, em Monteiro, no Cariri paraibano, Flávio José Marcelino Remígio, cantor, compositor e sanfoneiro que se tornou um dos nomes de destaque do forró tradicional nordestino.

Em um dia como hoje, 1º de setembro de 1951, nascia, em Monteiro, no Cariri paraibano, Flávio José Marcelino Remígio, cantor, compositor e sanfoneiro que se tornou um dos nomes de destaque do forró tradicional nordestino. Desde criança, Flávio José teve contato com a música. Aos cinco anos, começou a cantar e, posteriormente, aprendeu a tocar sanfona, tendo como referências artistas como Luiz Gonzaga e Dominguinhos. Sua carreira fonográfica começou na década de 1970, com o álbum Só Confio em Tu, lançado em 1977. Ao longo das décadas seguintes, construiu uma extensa discografia e passou a ser reconhecido especialmente pela interpretação de xotes e outros gêneros ligados ao forró pé de serra. Entre as músicas que ajudaram a marcar sua trajetória estão “Tareco e Mariola”, “Caboclo Sonhador”, “Espumas ao Vento”, “Filho do Dono” e “A Natureza das Coisas”. Conhecido como “Rei do Xote”, Flávio José tornou-se uma presença recorrente nas festas juninas da Paraíba e de outros estados nordestinos, mantendo em sua obra elementos da tradição musical do Nordeste. 📚 Fontes: Paraíba Criativa; Apple Music; Fundação Joaquim Nabuco/Dicionário da Música Popular Brasileira.

Uma nova análise anatômica dos ossos do quadril do Homo floresiensis

Homo floresiensis, o extinto parente humano de pequeno porte popularmente conhecido como “hobbit”, revelou que a espécie possuía uma pélvis estatisticamente semelhante à dos humanos e de outros membros do gênero Homo. A descoberta indica que esses hominídeos caminhavam eretos de maneira mais próxima à nossa do que à de ancestrais mais antigos, como o famoso australopiteco “Lucy”, embora o mistério sobre sua origem evolutiva permaneça sem solução. O estudo, publicado em 25 de agosto no American Journal of Biological Anthropology, concentrou-se nos ossos pélvicos preservados de LB 1, um fóssil de uma fêmea adulta de cerca de 1 metro de altura que viveu entre 100.000 e 60.000 anos atrás na ilha de Flores, na Indonésia. A equipe buscou esclarecer o grau de semelhança do espécime com espécies do Pleistoceno ou com os australopitecos. “Com base apenas nos ossos do quadril, o Homo floresiensis se parece de forma geral com os humanos e outras espécies do gênero Homo e provavelmente se movia de maneira muito semelhante aos humanos”, disse Kristi Lewton, antropóloga biológica da Universidade do Sul da Califórnia, ao Live Science. Mas o H. floresiensis “não era um bípede particularmente veloz e não percorria longas distâncias”, afirmou ela.

O historiador Marcus Rediker levou ao mar a história vista de baixo.

Onde a historiografia via rota comercial, ele viu local de trabalho; onde via tonelagem, viu hierarquia, disciplina e resistência. O navio deixou de ser cenário e passou a ser a unidade de análise da modernidade: fábrica antes da fábrica, prisão flutuante, máquina de fabricar raça e laboratório de lutas que desembarcaram em terra. Desse deslocamento nasceram conceitos como a hidrarquia – a ordem imposta de cima e a autoorganização que vem de baixo – e a tripulação variegada, sujeito multiétnico dos motins e greves. Os piratas do século XVIII, afirma Rediker, criaram democracias radicais: elegiam capitães, escreviam constituições e criaram seguros sociais. A repressão brutal que se seguiu não foi apenas contra crimes de propriedade, mas contra uma alternativa subversiva à ordem capitalista. Hoje, enquanto a história da escravidão é censurada nos EUA e no Brasil, Rediker insiste: a luta pela memória também é luta por justiça. O passado, visto de baixo, ainda é campo de batalha. Marcus Rediker em entrevista a Thiago Gama ⛵ O navio negreiro foi a fábrica antes da fábrica e o berço do capitalismo racial. Como a história vista de baixo revela a resistência dos marinheiros e escravizados?

126 anos do primeiro centro espírita do interior do país.

126 anos do primeiro centro espírita do interior do país. 126 anos do nascimento Espiritismo no Brasil Central. 126 anos que este solo abençoado do Coração do Brasil começou a ser preparado para continuidade do Evangelho Redivivo. 126 anos de ininterrupta atividade do Centro Espírita Fé e Amor, fundado por Sinhô Mariano e demais obreiros do Cristo. 126 anos que Santa Maria recebeu o plantio da Árvore do Evengelho e iniciou a preparação do solo sagrado que receberia Chico Xavier e a complementação da Doutrina dos Espíritos. “[....] se você for lá dentro das obras kardequianas, você vai encontrar os espíritos de Santa Maria ligados à obra kardequiana. Aqueles espíritos desencarnaram compromissados com o evangelho, vieram de lá para poder dar suporte à doutrina espírita, porque foi o lugar onde me escolhera a espiritualidade e se preparou para poder continuar a divulgar a doutrina neste Brasil Central. Vieram muitos espíritos desta época [da crucificação] que conheceram o Cristo, que se comprometeram com ele e traziam remorso na alma. Se você observar os trabalhos que eram montados ali em Santa Maria, eles seguiam os mesmos padrões da sociedade parisiense...por quê? O próprio codificador nos orientava através de Eurípedes Barsanulfo, principalmente, e de outros companheiros sobre como deveríamos exercer e manobrar as reuniões para que pudessem ter êxito.”

PARAHYBA E SUAS HISTÓRIAS. Silvino Elvídio, Barão do Abiahy

Sérgio Botelho – Em 17 de outubro de 1873, quando tomou posse na Presidência da Província da Parahyba do Norte, Silvino Elvídio Carneiro da Cunha estava voltando ao cargo que brevemente assumira entre abril e junho de 1869. Nascido na cidade da Parahyba (atual João Pessoa), em 31 de agosto de 1831, ele também retornava da missão, confiada pelo Império, que fora a do governar o Maranhão. Antes, havia administrado, pela ordem, Rio Grande do Norte e Alagoas. Líder conservador, o futuro Barão do Abiahy (título conquistado no apagar das luzes do Império, na década de 1880), era um fiel súdito imperial, certamente com competência para receber missões dessa ordem de importância. Tendo entre seus focos a educação, foi dele a iniciativa de construir o prédio da Escola Normal, na Avenida General Osório, onde hoje funciona a Biblioteca Pública da Paraíba, na esquina com a Peregrino de Carvalho. Foram do seu governo as providências iniciais para a chegada do trem na província, empresa sob o nome Caminho de Ferro Conde d’Eu, segundo decreto imperial de nº 5.608, de 25 de abril de 1874 (na íntegra, no Portal da Câmara dos Deputados). Mas nem tudo foram flores em seu governo, tendo enfrentado enorme confusão quando, em Campina Grande, estourou uma revolta popular histórica, a do Quebra Quilos, sob a liderança do mítico João Carga d’Água, rapidamente disseminada em alguns estados do Nordeste. Formado em Direito, desde 1853, pela Faculdade de Direito de Olinda, Barão do Abiahy faleceu a caminho de Recife, a bordo do vapor Olinda, quando a embarcação já se preparava para atracar, em 8 de abril de 1892, meses antes de completar 61 anos. (Foto: Silvino Elvídio) *Sérgio Botelho, jornalista, escritor e memorialista.

Sem pedir licença, as tropas a serviço da Companhia das Índias Ocidentais desembarcaram no início do século XVII na cobiçada região açucareira do Nordeste.

Começavam os tempos do Brasil Holandês, proporcionando anos de sucesso e lucro para a empresa criada pelos neerlandeses para abocanhar riquezas dos impérios coloniais no Atlântico Mas o que parecia doce logo mostra um gosto amargo. O declínio dos dias de glória da ocupação começa a ser desenhado quando o projeto entra em crise financeira e política. E as coisas pioram quando a fagulha da insurreição se espalha pelo solo paraibano. No verbete escrito por Leandro Vilar Oliveira, doutor em Ciências das Religiões pela UFPB, descubra como indígenas, escravizados e luso-brasileiros uniram-se para expulsar os holandeses das terras nordestinas.

Os portugueses classificavam os povos indígenas entre “aliados” e “inimigos”, utilizando termos generalizantes como tupi e tapuia.

Entre os chamados tapuias estavam os Aimorés, primeira denominação específica dos povos que posteriormente ficaram conhecidos como Botocudos. “Botocudo” também é uma denominação externa, relacionada ao uso de botoques labiais e auriculares. No rio Doce, os Aimorés foram considerados pelos padres jesuítas “os mais ferozes de todos os tapuias”. A imagem de “ferozes”, “antropófagos” e “inimigos da colonização” acompanhou esses povos desde os primeiros contatos e ajudou a justificar as ofensivas coloniais. O olhar europeu também marcou suas descrições físicas. O príncipe Maximiliano de Wied-Neuwied, inicialmente, descreveu os Botocudos como “estranhos e feios”, aproximando sua aparência à de “monstros”. Posteriormente, porém, o próprio viajante mudou sua percepção, afirmando que eram “mais bem conformados e mais belos do que os das demais tribos”, destacando seus corpos fortes e bem proporcionados. Essa mudança revela como essas descrições estavam atravessadas pelas concepções europeias de beleza. Os Botocudos eram formados por diversos subgrupos, muitas vezes rivais entre si. Cada grupo possuía um chefe, escolhido pela bravura demonstrada, e não por hereditariedade. Cabiam a ele orientações e decisões sobre disputas internas, migrações do grupo e momentos de guerra. Eram grupos seminômades, mas seus espaços nas florestas eram limitados em relação aos territórios de outros subgrupos, principalmente no que dizia respeito às áreas de caça. Apesar das divisões e rivalidades, compartilhavam sistemas sociocosmológicos e linguísticos. Também produziam diversos instrumentos e utensílios para diferentes finalidades: caça, guerra, música, adorno corporal e, principalmente, uso doméstico. A simplicidade de sua fabricação estava relacionada às constantes movimentações e viagens dos grupos. Essa mobilidade, porém, foi muitas vezes utilizada pelos colonizadores para classificá-los como “primitivos” e justificar a imposição de um modelo europeu de "civilização".

Um Missionário Franciscano entre os índios Xumanas do Rio Solimões no Amazonas, 1885

A Região Amazônica do Século XIX foi marcada pela chegada das missões Religiosas dos frades capuchinhos ( 1843 ), dos franciscanos que retornam em 1870 , dos espiritanos ( 1885 ) e dos Salesianos em 1889, encorajados belo Bispo do Pará D. Antonio de Macedo Costa. Em 1883 com o apoio do Barão de Santana Néri, o Bispo do Pará elaborou um projeto de catequese indígena desenvolvido pelo movimento de restauração católica da Amazônia. Os fins de suas missões consistiam na catequese e na civilização do homem amazônico, e na pacificação de "índios selvagens", conforme relato do diretor do Jardim Botânico do Amazonas, José Barbosa Rodrigues. O Bispo procurava expandir a presença da Igreja no campo da instrução, defendendo uma política educacional para a Amazônia que elevasse o nível de sua instrução pública, de forma que a região se encaminhasse para o verdadeiro progresso, que, para ele, significava a elevação do país pela formação intelectual e religiosa. Para desenvolver a Amazônia, ele apostava em um programa educacional que mesclasse instrução escolar e educação moral, ensino da religião católica e ensino técnico-científico. Esse programa católico, como bem mostra ), estava fundamentado em uma teoria de educação conservadora, denominada por ‘teoria dos círculos concêntricos’, Tal educação começaria com a educação da menina, que deveria se tornar “[...] mãe cristã de filhos cristãos; de filhos cristãos para famílias cristãs; das famílias cristãs para sociedade cristã [...]”,

Em 1924, nas ruas movimentadas de Lucknow, no norte da Índia, um vendedor de frutas posa ao lado de seu carrinho cuidadosamente organizado.

Em 1924, nas ruas movimentadas de Lucknow, no norte da Índia, um vendedor de frutas posa ao lado de seu carrinho cuidadosamente organizado. A fotografia, aparentemente simples, registra muito mais do que um trabalhador em meio à rotina: revela um pouco da vida cotidiana de uma cidade que, há séculos, era conhecida por sua cultura, arquitetura e tradição comercial. Naquela época, grande parte do comércio de alimentos acontecia ao ar livre. Vendedores percorriam ruas e mercados oferecendo frutas e outros produtos trazidos das áreas rurais próximas. Sem a refrigeração disponível atualmente, alimentos frescos precisavam ser comercializados e consumidos rapidamente, fazendo dos vendedores ambulantes uma presença importante no abastecimento das famílias. O carrinho também representa uma atividade comercial tradicional nas cidades indianas. Com poucos recursos, comerciantes independentes conseguiam estabelecer relações duradouras com seus clientes e transformar o comércio cotidiano em seu meio de sobrevivência. Lucknow vivia, naquele período, um processo gradual de modernização, mas suas ruas ainda preservavam costumes e formas de comércio que haviam atravessado gerações. Ao lado das novas tecnologias e das mudanças urbanas, permaneciam os mercados, os vendedores e o contato direto entre quem produzia, vendia e consumia. É justamente essa simplicidade que torna a imagem tão valiosa. Não vemos reis, generais ou grandes acontecimentos históricos. Vemos um homem trabalhando. E é através de pessoas como ele que uma cidade funciona. Quase um século depois, fotografias assim nos lembram que a história também está nas pequenas cenas: no comércio de rua, no trabalho diário e nas pessoas comuns que ajudaram a construir a vida das grandes cidades indianas.

O molho de tomate não existia na Itália até pelo menos o século XVI. E a razão é simples: o tomate não é europeu. Ele é originário das Américas.

O molho de tomate não existia na Itália até pelo menos o século XVI. E a razão é simples: o tomate não é europeu. Ele é originário das Américas. O tomate foi domesticado por povos indígenas muito antes da chegada dos europeus. Após as viagens de Cristóvão Colombo, plantas, animais e alimentos começaram a atravessar o Atlântico, no processo que ficou conhecido como Intercâmbio Colombiano. O tomate chegou à Europa provavelmente nas décadas de 1520 e 1540, levado pelos espanhóis. Mas sua aceitação foi lenta. Na Itália, uma das primeiras referências aparece em 1548, quando o botânico Pietro Andrea Mattioli descreveu uma planta que provavelmente correspondia ao tomate. Durante muito tempo, ele foi cultivado mais como planta ornamental do que como alimento. Havia também desconfiança em relação ao seu consumo, pois o tomate pertence à família das solanáceas, que inclui espécies tóxicas. A transformação aconteceu aos poucos. No século XVII, começaram a surgir receitas italianas utilizando tomates, mas foi no final do século XVII que aparecem alguns dos primeiros registros claros de molhos feitos com eles. Entre eles estão receitas publicadas por Antonio Latini em seu livro Lo Scalco alla Moderna, entre 1692 e 1694. Foi principalmente nos séculos XVIII e XIX que o tomate se tornou um ingrediente fundamental da cozinha italiana. A ironia histórica é que um dos maiores símbolos da gastronomia da Itália nasceu do outro lado do Atlântico. Pizza, molho de tomate, passata e tantos outros pratos que hoje parecem eternamente italianos são, na verdade, resultado de uma transformação culinária relativamente recente. O tomate não é italiano. Mas a Itália descobriu algumas das maneiras mais deliciosas de transformá-lo em história.

Tenente Zé Rufino: o implacável perseguidor do cangaço que recusou o convite de Lampião

O tenente José Rufino de Melo, conhecido na história nordestina como Zé Rufino, nasceu no fim do século XIX em Serra Talhada, no sertão de Pernambuco, região marcada por conflitos, seca e pela presença constante do cangaço. Forjado nesse ambiente duro, ele se tornaria um dos mais temidos e respeitados oficiais das forças volantes que combateram Lampião e seus seguidores durante as décadas de 1920 e 1930. Zé Rufino construiu sua fama pela eficiência e pela rigidez com que conduzia as perseguições aos bandos cangaceiros. Diferente de muitos combatentes da época, que alternavam alianças conforme a conveniência, ele ficou conhecido por manter uma postura inflexível contra o cangaço. Liderando volantes em Pernambuco, Bahia e Alagoas, participou de inúmeras emboscadas, cercos e confrontos armados, sendo responsável direto pela morte de vários cangaceiros e pela desarticulação de grupos inteiros que atuavam no sertão. Sua atuação era marcada por profundo conhecimento da caatinga, disciplina militar e uso constante da inteligência local, fatores que o tornaram um adversário especialmente perigoso para Lampião. Não por acaso, seu nome passou a circular entre os cangaceiros como sinônimo de ameaça real, alguém que não recuava e não aceitava acordos fáceis. Curiosamente, apesar de ser um dos seus maiores inimigos, Zé Rufino teria sido convidado pelo próprio Lampião para integrar o cangaço. O convite, segundo relatos históricos, partiu do reconhecimento da coragem, da habilidade em combate e da liderança do tenente. A resposta foi imediata e definitiva: Zé Rufino recusou qualquer possibilidade de aliança, reafirmando seu compromisso com a repressão ao banditismo que assolava o sertão. Após o fim do cangaço, com a morte de Lampião em 1938 e a gradual extinção dos bandos armados, Zé Rufino seguiu carreira militar até se afastar da vida ativa. Viveu seus últimos anos longe dos combates que o tornaram famoso e morreu em Jeremoabo, no estado da Bahia, encerrando a trajetória de um homem que se tornou símbolo do combate armado ao cangaço. Até hoje, o nome do tenente Zé Rufino provoca debates.

Tocar tambor já foi crime. Não é força de expressão: era lei escrita, com valor de multa e fiscal designado.

Na Carolina do Sul, o Slave Code de 1740 multava em dez libras qualquer senhor ou feitor que permitisse aos escravizados tocar tambores, soprar chifres ou usar quaisquer outros instrumentos ruidosos. Repare no mecanismo: a lei não punia só quem tocava. Punia quem deixava tocar. E não parava na multa. Em Barbados, uma lei de 1699 obrigava cada senhor a revistar as senzalas toda semana e queimar os instrumentos que encontrasse. Na Jamaica, a proibição foi escrita três vezes: 1688, 1717 e 1722. Ninguém escreve uma lei contra barulho. Escreve-se contra uma coisa que funciona, e o tambor funcionava: comunicava, organizava, coordenava à distância. A lei da Carolina do Sul foi escrita um ano depois de uma revolta ter marchado com dois tambores na frente. O preâmbulo diz isso com todas as letras. Quando a proibição não bastou, vieram os adjetivos. Primitivo era o argumento estético. Demoníaco, o religioso. Barulho, o cotidiano. Os três serviam à mesma função. Em 1893 um austríaco publicou um livro chamado Música Primitiva e descreveu o canto do Congo como um uivo monótono. O que o sistema europeu não sabia descrever foi tratado como ausência de complexidade, e não como complexidade de outro tipo. E no Brasil isso não é história antiga. Mais de 500 peças foram recolhidas em terreiros do Rio entre 1889 e 1945, três atabaques entre elas. Só saíram da guarda da Polícia Civil em agosto de 2020, depois de três anos de negociação puxada pelo movimento Liberte Nosso Sagrado. Cinco anos atrás. A lei caiu em algum momento. A frase que ela justificava, não. Ela só trocou de alvo. Este é o sétimo e último episódio da série, e nos seis anteriores disseram exatamente a mesma coisa do sintetizador, da caixa de ritmos, do Auto-Tune, do sampling, do streaming e agora da IA. Não é música de verdade. Não tem alma. Vai acabar com tudo. Sempre com as mesmas palavras. O tambor só foi o primeiro da fila. Nenhuma dessas brigas foi decidida por quem reclamou. Foi decidida por quem continuou tocando. Se você quer começar a tocar, comente AULA e eu te mando uma aula de djembe.

PARAHYBA E SUAS HISTÓRIAS. Contrabando por ordem da Coroa

Sérgio Botelho – No tempo em que a Capitania da Paraíba ficou subordinada à de Pernambuco, por decisão tomada pela Coroa portuguesa, em 1755, vigorando entre 1756 e 1799, a vida do mais longevo governador paraibano, de todos os tempos, no cargo, foi um tormento. Para Jerônimo José de Melo e Castro, que chefiou a Paraíba por 33 dos 44 anos de subordinação a Pernambuco, além das ambiguidades sobre o real poder de cada governador, havia ainda a malfadada relação entre setores produtivos paraibanos e Recife. Em meio ao período de subordinação, a Paraíba viveu a criação de muitas vilas (ao final, do texto, há uma relação). Entre elas, a de Monte-Mor (atual Mamanguape), que até tinha porto. Por meio dele, começou a escoar um comércio lucrativo direto para o porto recifense. Jerônimo não dava vida fácil a esse comércio ilegal, com prejuízos para a Fazenda Real paraibana e para o empenho com que ele se dedicava à luta pela recuperação da autonomia da província. Nesse sentido, durante o seu governo, houve apreensões de mercadorias. Naturalmente, reclamações foram enviadas pelo governador ao Conselho Ultramarino. Por outro lado, produtores e comerciantes também enviaram suas demandas à Coroa, no início da década de 1790, já ao tempo do reinado de Dona Maria I. Então, em 1794, uma ordem régia autorizou o tráfico mercantil entre zonas produtoras da Capitania da Paraíba e o porto do Recife, contrariando o governador Jerônimo e os interesses paraibanos. Sobre o assunto, importante ler o professor-doutor José Inaldo Chaves Júnior, no artigo "'Por ser Pernambuco tão chegado': anexação, governos e mercados ultramarinos na Capitania da Paraíba (1791-1799)", à disposição na Internet. Curioso é saber o quanto a Paraíba cresceu na época da subordinação. Pilar, Alhandra, Baía da Traição, Monte-Mor, Conde, Pombal, Vila Nova da Rainha, São João do Cariri e Sousa foram vilas criadas justamente naquele período, antes de a província me recobrar a autonomia em 1799. (Imagem meramente ilustrativa) *Sérgio Botelho, jornalista, escritor e memorialista.

Em um dia como hoje, 31 de agosto de 1919, nascia, em Alagoa Grande, no Brejo paraibano, José Gomes Filho, que se tornaria conhecido nacionalmente como Jackson do Pandeiro, um dos nomes mais importantes da música popular nordestina.

Filho do oleiro José Gomes e da coquista Flora Mourão, Jackson cresceu em contato com a música. Ainda criança, começou a acompanhar a mãe nas apresentações de coco e, aos oito anos, ganhou dela um pandeiro — instrumento que mais tarde se tornaria uma de suas principais marcas. Aos 13 anos, após a morte do pai, mudou-se com a mãe e os irmãos para Campina Grande. Trabalhou como entregador de pão, engraxate e em outros pequenos serviços, enquanto frequentava as feiras e entrava em contato com emboladores de coco e cantadores de viola. Na década de 1940, começou a ganhar espaço profissionalmente no rádio, passando por emissoras de João Pessoa e Recife. Em 1953, alcançou projeção nacional com "Sebastiana", de Rosil Cavalcanti. Vieram depois sucessos como "Forró em Limoeiro", "O Canto da Ema" e "Chiclete com Banana". Conhecido como "Rei do Ritmo", Jackson ficou marcado pela maneira particular de cantar e pela habilidade de trabalhar diferentes ritmos, entre eles o coco, o baião, o xote, o xaxado e o samba. Sua produção ajudou a levar elementos da música nordestina a públicos de diferentes regiões do país.

Em um dia como hoje, 30 de agosto de 1855, nascia, em Areia, no Brejo paraibano, Adauto Aurélio de Miranda Henriques, que se tornaria o primeiro bispo da Diocese da Paraíba e, posteriormente, o primeiro arcebispo da Paraíba.

Filho do coronel Idelfonsiano Clímaco Clodoveu de Miranda Henriques e de Laurinda Esmeralda de Sá e Mello, Dom Adauto iniciou os estudos em sua cidade natal e posteriormente passou pelo Seminário de Olinda. Aos 20 anos, seguiu para a Europa, onde estudou Filosofia no Seminário de São Sulpício, em Paris, e Teologia na Universidade Gregoriana, em Roma. Em 1880, foi ordenado sacerdote e, dois anos depois, doutorou-se em Direito Canônico. A trajetória de Dom Adauto ganhou novo rumo em 1894, quando o papa Leão XIII o nomeou primeiro bispo da recém-criada Diocese da Paraíba. Ele tomou posse em 4 de março daquele ano, em uma diocese que havia sido criada por bula papal em 1892. Durante seu longo período à frente da Igreja na Paraíba, Dom Adauto participou da criação de instituições religiosas e educacionais, entre elas o Seminário Diocesano e o Colégio Diocesano, além de fundar o semanário A Imprensa, em 1897. Sua atuação esteve inserida no processo de reorganização e fortalecimento institucional da Igreja Católica no Brasil durante a Primeira República.

ELES TAMBÉM FORAM À GUERRA — MAS QUASE FORAM APAGADOS DA HISTÓRIA.

Quando pensamos na participação brasileira na Segunda Guerra Mundial, lembramos dos pracinhas da Força Expedicionária Brasileira (FEB) que atravessaram o Atlântico e combateram na Itália. Mas existe uma outra história de guerra, travada dentro do próprio Brasil. A partir de 1942, com a ocupação japonesa das principais regiões produtoras de borracha do Sudeste Asiático, os Aliados precisaram de uma nova fonte estratégica de látex. O Brasil voltou seus olhos para a Amazônia. Milhares de trabalhadores, principalmente nordestinos, foram recrutados em meio à seca e à pobreza. A propaganda prometia trabalho, remuneração, assistência e uma nova vida. Eles eram chamados de "Soldados da Borracha", numa tentativa de transformar a extração do látex em uma verdadeira missão de guerra. Mas a realidade encontrada na Amazônia era brutal. Em meio à floresta, esses trabalhadores enfrentavam malária, febres, fome, isolamento, acidentes, cobras, animais, falta de assistência médica e condições extremamente precárias de trabalho. Muitos também ficaram presos ao sistema de aviamento, no qual ferramentas, alimentos, roupas e outros produtos eram fornecidos a crédito e descontados da produção. Para alguns, a dívida parecia nunca terminar. Enquanto os pracinhas enfrentavam o inimigo nos campos de batalha da Itália, os Soldados da Borracha enfrentavam outro tipo de guerra: a floresta, as doenças, a exploração e o abandono. E quando a Segunda Guerra terminou, em 1945, a situação de muitos deles não terminou junto. A demanda extraordinária pela borracha caiu, e muitos trabalhadores permaneceram na Amazônia sem receber o reconhecimento e o amparo que haviam sido prometidos. Durante décadas, suas reivindicações permaneceram praticamente esquecidas. O reconhecimento veio muito tarde. A Constituição de 1988 garantiu direitos previdenciários aos seringueiros recrutados nos termos da legislação de guerra, e posteriormente outras medidas ampliaram a reparação. Em 2014, a Emenda Constitucional nº 78 estabeleceu indenização para os beneficiários. A história dos Soldados da Borracha não deve ser contada para diminuir

Hoje relembramos o legado do nosso gigante Donga, que nos deixou no dia 25 de agosto de 1974.

Ernesto Joaquim Maria dos Santos foi muito além do registro histórico de "Pelo Telefone". Ele foi o violonista sagaz que cresceu na efervescência da "Pequena África" carioca, construindo a batida, a malandragem e a sofisticação que transformaram o samba de uma manifestação marginalizada em identidade nacional. Ao lado de Pixinguinha no grupo Os Oito Batutas, Donga levou nossa música popular para os palcos da Europa nos anos 1920, provando que o som que nascia nos terreiros e quintais das tias baianas tinha a grandeza de conquistar o mundo. Mesmo enfrentando a pobreza e problemas de saúde no fim da vida, sua contribuição permanece imutável e reverenciada. Viva Donga!!!

O popular conceito de cadeia alimentar explica como através de uma rede cruzada de interligações, começando com organismos produtores

O popular conceito de cadeia alimentar explica como através de uma rede cruzada de interligações, começando com organismos produtores (como as plantas fotossintetizantes) e terminando no ápice de espécies predadoras (como leões, ursos ou orcas), mas que também passa por detritívoros (como minhocas ou baratas), e espécies de decomposição (como fungos ou bactérias), os seres vivos se relacionam entre si para sua subsistência cíclica uns dos outros através de níveis tróficos diferentes. Este conceito atualmente tão popular e útil no estudo da biologia, foi introduzido pela primeira vez pelo polímata árabe muçulmano do século X al-Jahiz (776-868), que escreveu o famoso Kitāb al-Ḥayawān ou "Livro dos Animais", onde também lançou princípios para a Teoria da Evolução que mais tarde seria absorvida por Charles Darwin. Contudo, a popularização ocidental do conceito de cadeia alimentar proposto por al-Jahiz é creditada ao zoólogo e ecologista britânico Charles Elton, em uma publicação de 1927. Bibliografia: * Elton, C. S. (1927). Animal Ecology. London, UK.: Sidgwick and Jackson. * Allesina, S.; Alonso, D.; Pascal, M. (2008). "A general model for food web structure" * Egerton, F. N. (2007). "Understanding food chains and food webs, 1700-1970". Bulletin of the Ecological Society of America.

Na margem direita da barra do Rio Paraíba, numa ponta de areia que os portugueses chamavam de cabedelo.

Na margem direita da barra do Rio Paraíba, numa ponta de areia que os portugueses chamavam de cabedelo, o Capitão-mor Frutuoso Barbosa ordenou em 1585 a construção de um forte para defender a nova cidade de Filipeia, fundada no mesmo ano 18 quilômetros rio acima. O alemão Cristóvão Linz ergueu a estrutura primitiva em taipa de pilão com o apoio de 110 soldados espanhóis, 700 índios e 100 escravos negros. Seis anos depois, os Potiguara destruíram o forte num ataque combinado com corsários franceses. Foi reconstruído em pedra e cal, concluído em 1597, atacado no mesmo ano por treze navios franceses e repelido novamente. Em dezembro de 1631, a Companhia das Índias Ocidentais da Holanda enviou 26 naus e 1.600 homens contra o forte. O governador Antônio de Albuquerque Maranhão soube do ataque 16 dias antes por desertores holandeses e organizou a defesa com cerca de 700 homens. O cerco durou seis dias e os holandeses recuaram com mais de 200 baixas. Em 1634 voltaram com 29 naus, 500 canhões e 2.354 homens. Desta vez o forte caiu. Maurício de Nassau ordenou sua reconstrução completa em 1637 e rebatizou-o de Forte Margarida, em homenagem à sua irmã. Os tijolos holandeses encontrados na estrutura confirmam arqueologicamente essas obras. Com a restauração portuguesa em 1654, o nome Santa Catarina foi recuperado. No século XVIII, as pedras de cantaria para a remodelação definitiva vieram de Lisboa como lastro de navios que cruzavam o Atlântico. Em 1817, após a Revolução Pernambucana, o forte tornou-se presídio político. Passou décadas em abandono até ser restaurado pelo Iphan entre 1974 e 1978. Tombado desde 24 de maio de 1938, composto por 20 compartimentos incluindo uma capela barroca dedicada a Santa Catarina de Alexandria, o forte de Cabedelo integra hoje a Lista Indicativa Brasileira a Patrimônio Mundial da Unesco, num dossiê com 19 fortificações brasileiras encaminhado pelo governo ao organismo internacional. 📍 Cabedelo, Paraíba. A 18 km de João Pessoa. Consulte os horários atualizados nos perfis de cada espaço antes de visitar.

01 de Setembro de 1939 Alemanha invade a Polônia e tem inicio a Segunda Guerra Mundial