quinta-feira, 3 de setembro de 2026

O molho de tomate não existia na Itália até pelo menos o século XVI. E a razão é simples: o tomate não é europeu. Ele é originário das Américas.

O molho de tomate não existia na Itália até pelo menos o século XVI. E a razão é simples: o tomate não é europeu. Ele é originário das Américas. O tomate foi domesticado por povos indígenas muito antes da chegada dos europeus. Após as viagens de Cristóvão Colombo, plantas, animais e alimentos começaram a atravessar o Atlântico, no processo que ficou conhecido como Intercâmbio Colombiano. O tomate chegou à Europa provavelmente nas décadas de 1520 e 1540, levado pelos espanhóis. Mas sua aceitação foi lenta. Na Itália, uma das primeiras referências aparece em 1548, quando o botânico Pietro Andrea Mattioli descreveu uma planta que provavelmente correspondia ao tomate. Durante muito tempo, ele foi cultivado mais como planta ornamental do que como alimento. Havia também desconfiança em relação ao seu consumo, pois o tomate pertence à família das solanáceas, que inclui espécies tóxicas. A transformação aconteceu aos poucos. No século XVII, começaram a surgir receitas italianas utilizando tomates, mas foi no final do século XVII que aparecem alguns dos primeiros registros claros de molhos feitos com eles. Entre eles estão receitas publicadas por Antonio Latini em seu livro Lo Scalco alla Moderna, entre 1692 e 1694. Foi principalmente nos séculos XVIII e XIX que o tomate se tornou um ingrediente fundamental da cozinha italiana. A ironia histórica é que um dos maiores símbolos da gastronomia da Itália nasceu do outro lado do Atlântico. Pizza, molho de tomate, passata e tantos outros pratos que hoje parecem eternamente italianos são, na verdade, resultado de uma transformação culinária relativamente recente. O tomate não é italiano. Mas a Itália descobriu algumas das maneiras mais deliciosas de transformá-lo em história.

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