quinta-feira, 25 de junho de 2026

PARAHYBA E SUAS HISTÓRIAS A conquista da Paraíba e o destino dos Tabajaras

PARAHYBA E SUAS HISTÓRIAS A conquista da Paraíba e o destino dos Tabajaras Consolidada a conquista da Paraíba, iniciou-se um novo capítulo da história dos povos indígenas que participaram diretamente desse processo, especialmente Tabajaras e Potiguaras. A aliança firmada em 5 de agosto de 1585 marcou profundamente o destino dessas comunidades, cujas trajetórias seguiram caminhos distintos sob o domínio colonial. Os Tabajaras romperam sua antiga aliança com os Potiguaras e apoiaram os portugueses na conquista da capitania. Por essa colaboração, seu principal líder, Piragibe — também conhecido como Braço de Peixe — recebeu honrarias da Coroa portuguesa, entre elas o Hábito de Cristo e uma tença, espécie de pensão vitalícia concedida em reconhecimento aos serviços prestados. Na época, a principal aldeia tabajara situava-se na região onde hoje está o bairro da Ilha do Bispo, em João Pessoa. Já no início do século XVII, a Coroa lhes concedeu sesmarias entre os rios Gramame e Abiaí, abrangendo áreas dos atuais municípios de Conde, Alhandra e Pitimbu, no litoral sul paraibano. Apesar dessas concessões, os Tabajaras perderam grande parte de sua autonomia. A integração ao sistema colonial significou a submissão à catequese, ao controle das autoridades portuguesas e, muitas vezes, ao trabalho compulsório. A aliança militar que garantiu a conquista da Paraíba acabou inserindo esse povo em uma estrutura de dependência que favorecia os interesses da colonização açucareira. Durante a ocupação holandesa, muitos indígenas foram deslocados da aldeia de Jacoca, no atual município de Conde, para a cidade de Frederica, onde passaram a servir à Companhia Holandesa das Índias Ocidentais. Após a expulsão dos holandeses, retornaram às antigas aldeias, mas encontraram seus territórios reduzidos e profundamente transformados. Ao longo dos séculos seguintes, os Tabajaras enfrentaram sucessivas invasões de terras, conflitos com colonos, fragmentação de seu território e mudanças na legislação que favoreceram posseiros e aforamentos sobre áreas tradicionalmente indígenas. Esse processo contribuiu para o enfraquecimento de suas comunidades e para a perda de boa parte de seu patrimônio territorial. Atualmente, os descendentes dos Tabajaras continuam lutando pelo reconhecimento e pela demarcação de suas terras tradicionais no litoral sul da Paraíba. Essa reivindicação envolve órgãos públicos, como o Ministério Público Federal, e representa a continuidade de uma história de resistência iniciada ainda nos primeiros anos da colonização. Texto reescrito a partir do original de Sérgio Botelho, preservando o conteúdo histórico em linguagem mais clara, organizada e contextualizada.

PARAHYBA E SUAS HISTÓRIAS A Guerra dos Bárbaros

PARAHYBA E SUAS HISTÓRIAS A Guerra dos Bárbaros A fundação de Campina Grande está diretamente ligada ao processo de ocupação dos sertões paraibanos. Entre os personagens centrais dessa história destaca-se Teodósio de Oliveira Ledo, integrante de uma família que teve papel importante na expansão da colonização do interior da Paraíba. Após a expulsão dos holandeses, em 1654, a Coroa portuguesa voltou sua atenção para o interior do Nordeste. Enquanto a economia açucareira do litoral enfrentava um período de declínio, os sertões passaram a despertar interesse por suas terras, consideradas estratégicas para a expansão da colonização. Essas regiões eram habitadas por diversos povos indígenas, genericamente chamados pelos colonizadores de “tapuias”, em contraste com os povos tupis do litoral, como os Potiguaras e Tabajaras. A denominação de “bárbaros” serviu como justificativa para uma campanha militar de conquista e extermínio que ficou conhecida como Guerra dos Bárbaros. A ocupação dos sertões atraiu sertanistas e bandeirantes interessados nas sesmarias — grandes extensões de terras distribuídas pela Coroa portuguesa para incentivar a criação de fazendas de gado e o povoamento da região. Entre eles destacou-se Domingos Jorge Velho, famoso por sua atuação na destruição do Quilombo dos Palmares e que morreu em Piancó, na Paraíba, em 1705. Com o avanço da colonização, tropas armadas e criadores de gado penetraram pelos rios, vales, caatingas e campos sertanejos. Para os colonizadores, tratava-se da ocupação e do desenvolvimento do território. Para os povos indígenas, significou invasão de suas terras, expulsão de comunidades, aprisionamento de pessoas e imposição de aldeamentos. Após anos de conflitos, a Guerra dos Bárbaros terminou com a derrota dos povos indígenas dos sertões nordestinos. O resultado consolidou a expansão do domínio português para além da faixa litorânea, ampliando a ocupação do interior e deixando profundas consequências para as populações originárias, muitas das quais foram dizimadas ou expulsas de seus territórios. Texto reescrito a partir do original de Sérgio Botelho, preservando o conteúdo histórico em linguagem mais clara, fluida e contextualizada.

PARAHYBA E SUAS HISTÓRIAS Ronco da Abelha ou Revolta dos Marimbondos

PARAHYBA E SUAS HISTÓRIAS Ronco da Abelha ou Revolta dos Marimbondos No século XVII, a economia nordestina, baseada na produção de açúcar, começou a perder espaço no mercado internacional. Ao mesmo tempo, a mineração de ouro ganhou destaque e impulsionou o desenvolvimento do Sudeste. Esse processo levou, no século XVIII, ao deslocamento do centro econômico da colônia do Nordeste para o Sudeste, simbolizado pela transferência da capital de Salvador para o Rio de Janeiro, principal porto de escoamento do ouro rumo à Europa. No século XIX, o crescimento da cafeicultura, especialmente em São Paulo, ampliou ainda mais as diferenças econômicas entre as regiões. Enquanto o Sudeste concentrava investimentos e atenção da Corte instalada no Rio de Janeiro, o Nordeste enfrentava dificuldades e crescente descontentamento. Nesse cenário surgiram diversas revoltas populares, entre elas o Ronco da Abelha, também conhecido como Revolta dos Marimbondos. O estopim do movimento ocorreu em 1851, quando o governo imperial determinou a realização de um censo demográfico e a emissão de registros civis de nascimento. Até então, essa função era desempenhada pela Igreja Católica, por meio das paróquias, durante o batismo. A população, entretanto, passou a acreditar que o verdadeiro objetivo dessas medidas era identificar pessoas livres para escravizá-las. O medo ganhou força após a promulgação da Lei Eusébio de Queirós, de 1850, que proibiu o tráfico transatlântico de escravizados. Diante dos rumores, multidões ocuparam ruas e feiras em diversas cidades da Paraíba e de Pernambuco, além de outras localidades do Nordeste. A pressão popular foi tão intensa que o governo imperial acabou suspendendo a aplicação das medidas, alcançando, assim, o principal objetivo dos manifestantes. O movimento recebeu o nome de Ronco da Abelha ou Revolta dos Marimbondos porque as grandes aglomerações lembravam enxames de abelhas ou marimbondos. Além disso, a ausência de lideranças claramente identificáveis dificultava a repressão por parte das autoridades. Texto reescrito a partir do original de Sérgio Botelho, preservando o conteúdo histórico em linguagem mais fluida e organizada.

PARAHYBA E SUAS HISTÓRIAS. Um antigo mito chamado Pindobal

PARAHYBA E SUAS HISTÓRIAS. Um antigo mito chamado Pindobal Sérgio Botelho – Um dos mitos mais assombrosos para a criançada pessoense, até a década de 1960, atendia pelo nome de Pindobal. “Você se comporte, senão vai para Pindobal!”; “Menino que não estuda termina em Pindobal!”. Pindobal, para a gente, era o sinônimo de Inferno! O Centro Agrícola Pindobal foi criado pelo então presidente João Pessoa, em 1929. O Decreto 1.672, de 10 de junho de 1930, que o regulamentou, dizia que sua finalidade era receber “menores delinquentes e abandonados” para educá-los e lhes dar meios de voltar à sociedade com uma profissão. No entanto, os objetivos vinham envelopados com ideias de alistamento compulsório e de medidas corretivas. Vem daí a fama, inclusive, piorada por muitos pais, que apavorava os meninos pessoenses até mais ou menos a década de 1960. Até se sabe, hoje, que a partir da década de 1950, com o fim do contrato com uma ordem de frades holandeses, o quadro teria mudado bastante. Contudo, para os da época, Pindobal continuava sendo sinônimo de disciplina e castigo. Se o governo explicava as mudanças, não lembro. Mas os pais não tinham nenhum interesse nisso. Além do mais, como era coisa de pobre, havia o inevitável preconceito. Hoje, Pindobal está longe de ser o que era ou o que se imaginava que fosse. Com o nome de Centro de Educação Produtiva de Pindobal, desenvolve atividades voltadas à formação, ressocialização e atendimento socioeducativo. Tudo, com outra dimensão social, mais humanamente contemporânea. Além de oficinas de músicas, os internos, na faixa etária dos 10 aos 18 anos, participam de oficinas de artesanato e cursos profissionalizantes como de marcenaria, pedreiro, alvenaria, acabamento e sanitário, informática e computação e ainda praticam esportes. (Foto: Centro de Educação Produtiva de Pindobal) Sérgio Botelho, jornalista, escritor e memorialista, escreve diariamente textos, de apelo histórico, sobre a Paraíba, com veiculação nas redes sociais.

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