quinta-feira, 25 de junho de 2026
PARAHYBA E SUAS HISTÓRIAS Ronco da Abelha ou Revolta dos Marimbondos
PARAHYBA E SUAS HISTÓRIAS
Ronco da Abelha ou Revolta dos Marimbondos
No século XVII, a economia nordestina, baseada na produção de açúcar, começou a perder espaço no mercado internacional. Ao mesmo tempo, a mineração de ouro ganhou destaque e impulsionou o desenvolvimento do Sudeste. Esse processo levou, no século XVIII, ao deslocamento do centro econômico da colônia do Nordeste para o Sudeste, simbolizado pela transferência da capital de Salvador para o Rio de Janeiro, principal porto de escoamento do ouro rumo à Europa.
No século XIX, o crescimento da cafeicultura, especialmente em São Paulo, ampliou ainda mais as diferenças econômicas entre as regiões. Enquanto o Sudeste concentrava investimentos e atenção da Corte instalada no Rio de Janeiro, o Nordeste enfrentava dificuldades e crescente descontentamento. Nesse cenário surgiram diversas revoltas populares, entre elas o Ronco da Abelha, também conhecido como Revolta dos Marimbondos.
O estopim do movimento ocorreu em 1851, quando o governo imperial determinou a realização de um censo demográfico e a emissão de registros civis de nascimento. Até então, essa função era desempenhada pela Igreja Católica, por meio das paróquias, durante o batismo.
A população, entretanto, passou a acreditar que o verdadeiro objetivo dessas medidas era identificar pessoas livres para escravizá-las. O medo ganhou força após a promulgação da Lei Eusébio de Queirós, de 1850, que proibiu o tráfico transatlântico de escravizados. Diante dos rumores, multidões ocuparam ruas e feiras em diversas cidades da Paraíba e de Pernambuco, além de outras localidades do Nordeste.
A pressão popular foi tão intensa que o governo imperial acabou suspendendo a aplicação das medidas, alcançando, assim, o principal objetivo dos manifestantes. O movimento recebeu o nome de Ronco da Abelha ou Revolta dos Marimbondos porque as grandes aglomerações lembravam enxames de abelhas ou marimbondos. Além disso, a ausência de lideranças claramente identificáveis dificultava a repressão por parte das autoridades.
Texto reescrito a partir do original de Sérgio Botelho, preservando o conteúdo histórico em linguagem mais fluida e organizada.
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