domingo, 27 de setembro de 2026

As dunas de gesso do Parque Nacional White Sands, no Novo México, guardam evidências que podem transformar a compreensão sobre a chegada dos primeiros habitantes às Américas.

As dunas de gesso do Parque Nacional White Sands, no Novo México, guardam evidências que podem transformar a compreensão sobre a chegada dos primeiros habitantes às Américas. Em meio à paisagem desértica, 61 pegadas humanas fossilizadas foram encontradas e datadas de aproximadamente 21 mil a 23 mil anos, segundo a datação por radiocarbono de camadas adjacentes de sementes de plantas. A descoberta contrariou a visão predominante de que os humanos teriam chegado à atual América do Norte entre 13 mil e 16 mil anos atrás, vindos da Ásia através da Beríngia, uma antiga ponte terrestre que posteriormente ficou submersa. Segundo a CNN, a história começou em 2009, quando David Bustos, gerente de recursos integrados de White Sands, avistou marcas que pareciam ser pegadas humanas nas margens do antigo Lago Otero. As marcas estavam próximas de pegadas de mamute e apresentavam contornos semelhantes aos de um pé humano. Mesmo assim, Bustos teve dificuldade para convencer outros pesquisadores de que elas poderiam ser tão antigas quanto os rastros dos animais. Alguns chegaram a sugerir que as marcas poderiam ter sido deixadas por um camelo escorregando na lama. Um ano depois, novas pegadas apareceram novamente próximas a rastros de mamute, mas ainda havia dúvidas sobre sua idade. A situação mudou em janeiro de 2016, quando Bustos encontrou pegadas de mamute diretamente sobre pegadas humanas. Para ele, aquilo representava a evidência mais clara até então de que os dois grupos haviam coexistido. Veja a matéria completa no link da bio! 📸 Cortesia do Serviço Nacional de Parques

Expedição de Fernando de Médici

Iniciativa e Liderança: A tentativa de colonização italiana no Brasil no século XVII foi idealizada por Dom Fernando I de Médici, Grão-Duque da Toscana. Em 1608, ele organizou uma expedição rumo ao norte do Brasil liderada pelo capitão inglês Robert Thornton e supervisionada por Sir Robert Dudley. Objetivos Comerciais: O foco principal era o comércio de madeiras nobres entre o Amazonas e a Itália, estabelecendo um entreposto colonial entre terras espanholas e portuguesas no norte da América do Sul. A Rota e os Territórios Pretendidos: Thornton explorou áreas como a bacia do Rio Amazonas, o Rio Orinoco e fez escala em Trinidad. O território visado para a futura colônia abrangia a atual Guiana Francesa, o Amapá e trechos do Pará. Fracasso e Cancelamento: Ao retornar em 1609 com relatórios e pronto para transportar colonos de Livorno e Lucca no galeão Santa Lucia, Thornton descobriu que Fernando I havia falecido no início daquele ano. Seu sucessor, Cosmo II, decidiu cancelar todo o projeto de expansão ultramarina.

Índios da Amazônia adorando o Deus-Sol, arte do Francês François Auguste Biard (1860).

Auguste Biard desembarcou no Brasil em 1858 com um objetivo: fazer contato e registrar as populações indígenas brasileiras. Quando chegou por aqui, com 60 anos, já era um artista experiente: estudou na École des Beaux-Arts [Escola de Belas Artes], em Lyon, sua cidade natal. Na década de 1820, transferiu-se para Paris e, atuando como professor de desenho da Marinha, viajou para Espanha, Grécia, Síria e Egito e até Antártida. Ele alcançou fama como artista, tornando-se retratista oficial da corte francesa. Empreendeu viagens pelo mundo registrando povos e costumes e coletando objetos com interesse antropológico. Com o intuito de encontrar os "habitantes selvagens das florestas", quando chegou ao Brasil, Biard permaneceu por algum tempo no Rio de Janeiro, o suficiente para organizar uma viagem maior até o Pará e o Amazonas. O artista, inclusive, foi convidado a se tornar professor da Academia Imperial de Belas Artes (Aiba), mas recusou o convite. Da viagem à região amazônica, resultou no livro de relatos Deux Années au Brésil [Dois anos no Brasil], publicado em 1862, depois de retornar a Paris. A publicação é ilustrada com gravuras de Edouard Riou com base nos desenhos de Biard. Da viagem Riou também fez pinturas, como Índios da Amazônia Adorando o Deus-Sol, de 1860, que integra o acervo da Pinacoteca do Estado de São Paulo e está disponível na Brasiliana Iconográfica. Biard não produziu a pintura pela observação direta, mas por meio de relatos contados por pessoas com as quais se encontrou no Amazonas. Em um trecho de Deux Années au Brésil, fez o seguinte comentário: "[O índio] João me contou também que índios habitantes acima das cataratas do Madeira dirigem preces ao sol, como faziam os antigos peruanos".

Em um dia como hoje, 25 de setembro de 1930, a Paraíba adotava oficialmente a bandeira rubro-negra que ficaria conhecida como Bandeira do “Négo”. 

A mudança ocorreu por meio da Lei Estadual nº 704, aprovada pela Assembleia Legislativa em meio à intensa crise política que marcou a Paraíba e o Brasil naquele ano, após o assassinato do então presidente do estado, João Pessoa, em 26 de julho de 1930.  A nova bandeira tinha dois terços na cor vermelha e um terço na cor preta, este último junto ao mastro. Na parte vermelha aparecia, em letras brancas, a palavra “Négo”, forma grafada originalmente com acento na lei de 1930.  A palavra fazia referência ao verbo “negar”, associada à posição política de João Pessoa diante da candidatura de Júlio Prestes, apoiada pelo então presidente da República, Washington Luís. O vermelho e o preto também passaram a ser associados, respectivamente, à Aliança Liberal e ao luto pela morte de João Pessoa.  A aprovação da nova bandeira, porém, não ocorreu sem resistência. O então presidente da Paraíba, Álvaro de Carvalho, vetou o projeto em 23 de setembro, argumentando, entre outras coisas, que a proposta representava uma “criação de partido” e que a palavra “Négo” não constituía um símbolo histórico do estado. A Assembleia derrubou o veto e a Lei nº 704 foi promulgada em 25 de setembro.  📚 Fontes:  A União — edição de 25 de setembro de 1930  Paraíba Criativa — O termo “Nego” na bandeira da Paraíba  Assembleia Legislativa da Paraíba — história do Parlamento e da bandeira estadual

Os Prisioneiros de guerra alemães de Stalin

Na primavera de 1945, colunas de prisioneiros alemães marchavam rumo ao leste, depois da queda de Königsberg — a antiga capital da Prússia Oriental, a joia do extremo alemão que foi a primeira grande cidade a tombar diante do Exército Vermelho. Marchavam derrotados, famintos, de olhos fundos. Marchavam sem saber que, para a maioria, aquele caminho seria sem volta. Stalin queria que aqueles homens pagassem pelo estrago da guerra. Que os soldados da Wehrmacht, que haviam devastado cidades, queimado vilas e reduzido a Rússia a escombros, trabalhassem agora para reconstruí-la. A guerra entregou à União Soviética cerca de 3 milhões de soldados alemães. Os arquivos de Moscou registram que pelo menos 381 mil morreram em campos administrados pelo NKVD. Mas os números apurados por historiadores alemães são ainda mais brutais: de 3,06 milhões capturados, entre 1,09 e 1,1 milhão jamais retornaram. Os que sobreviveram foram lançados em minas, canteiros de obras, ferrovias, barragens, portos e fábricas. Forçados a reconstruir aquilo que haviam destruído, ergueram casas para abrigar famílias soviéticas enquanto eles mesmos viviam em barracões fétidos. Subnutridos, doentes, quebrados por dentro, carregariam para sempre os fantasmas de cativeiros que a sociedade preferiu esquecer. E os últimos deles só cruzariam de volta a fronteira em 1956, mais de uma década depois do fim da guerra. Texto de Paulo Henrique Máximo Lacerda – A História Esquecida