Viva a História
quinta-feira, 20 de agosto de 2026
PARAHYBA E SUAS HISTÓRIAS. Os Médicos nas Ruas da Capital da Paraíba
PARAHYBA E SUAS HISTÓRIAS. Os Médicos nas Ruas da Capital da Paraíba
Sérgio Botelho – Estudar a evolução dos logradouros de uma cidade muito nos ajuda a entender os fundamentos urbanos e mesmo os sociais e econômicos da história da urbe e do seu povo. Além de ser fascinante esse tipo de prospecção memorial.
Faz parte desse esforço de pesquisa entender os motivos das denominações dos logradouros que historicamente se legitimam como monumentos. Expressam ora a tradição popular, ora a serventia urbana, ora figuras importantes de sua existência.
Sobre os logradouros da cidade de João Pessoa, há uma razoável quantidade de abordagens historiográficas. A mais recente delas é do médico Edvaldo Brilhante Filho, membro da Academia Paraibana de Medicina.
No livro, Os Médicos nas Ruas da Capital da Paraíba, da editora Ideia, ele une o zelo pela profissão que abraçou, a Medicina, a preocupações de historiador. Nesse sentido, aplicou-se na pesquisa sobre a trajetória de médicos e médicas homenageados em logradouros pessoenses.
Pela leitura, a gente fica sabendo que há muitos não paraibanos, mas com atuação digna das homenagens prestadas. Também se revela que, muito comumente, os homenageados atuaram para além do exercício da Medicina.
Uma crítica feita pelo autor do livro mostra-se absolutamente procedente. É que não existe, na maioria dos casos, referência à atividade profissional do agraciado com a perpetuidade representada nas placas. E isso não se restringe aos médicos. Com exceções, é uma situação predominante.
Com a sua contribuição intelectual, o médico Edvaldo Brilhante, natural de Coremas, mas com vida profissional inteiramente dedicada à capital paraibana, assume, plenamente, sua condição de Cidadão Pessoense, título que já lhe foi concedido pela Câmara Municipal de João Pessoa.
Afinal, João Pessoa é a cidade onde ele viveu a juventude, a partir de 1973, concluiu o curso de Medicina, e vem, desde então, exercendo o ofício médico.
(Foto: capa do livro Os Médicos nas Ruas da Capital da Paraíba)
*Sérgio Botelho, jornalista, escritor e memorialista.
Professor Juarez Ribeiro de Araújo — trajetória profissional
Juarez Ribeiro de Araújo construiu sua trajetória profissional principalmente em torno de duas áreas que se complementam: a educação e a preservação da história e da memória de Serra Branca e do Cariri paraibano.
Formação acadêmica
Um dos registros mais importantes encontrados é seu trabalho de conclusão da Especialização em História do Brasil e da Paraíba, realizada nas Faculdades Integradas de Patos (FIP), vinculadas à Fundação Francisco Mascarenhas.
Em 2011, Juarez apresentou o artigo científico “Memória Visual do Trabalho em Serra Branca”, sob orientação da professora doutora Keila Queiroz e Silva Ramos. O trabalho foi desenvolvido como requisito para obtenção do título de especialista.
Esse trabalho já revela uma característica muito marcante de sua atuação como historiador: o interesse pela história local, especialmente pela memória das pessoas comuns, das profissões, das transformações econômicas e do cotidiano de Serra Branca.
A pesquisa utilizou fotografias e fontes orais para estudar as transformações do trabalho no município entre aproximadamente 1930 e 1978. Entre os temas e imagens pesquisados estavam a Serra do Jatobá, os almocreves, o comércio de algodão, o Armazém do Povo, a construção da cadeia, a antiga geração de energia e o trabalho dos ferreiros.
O trabalho também contou com entrevistas com moradores, mostrando sua preocupação em preservar a memória daqueles que vivenciaram determinados períodos da história de Serra Branca.
Professor da educação básica
A atuação de Juarez como professor está documentada em diferentes períodos.
Há registros de sua atividade na Escola Estadual de Ensino Médio Inovador Senador José Gaudêncio, em Serra Branca. Fotografias e projetos publicados em seu acervo mostram sua atuação com turmas do ensino médio, incluindo alunos dos 2º e 3º anos.
Também existem registros de sua atuação na Escola Municipal de Ensino Infantil e Fundamental Cônego João Marques Pereira, trabalhando com turmas do ensino fundamental. Há, por exemplo, registros de atividades com alunos do 8º ano desde pelo menos 2008 e novamente em 2016.
Portanto, sua carreira educacional não ficou restrita a um único nível de ensino: os registros disponíveis mostram participação tanto no ensino fundamental quanto no ensino médio.
História ensinada de maneira prática
Uma característica interessante de seu trabalho é que ele parece utilizar a história local como instrumento pedagógico.
Em vez de trabalhar apenas com acontecimentos nacionais e internacionais, seus projetos levam os alunos a pesquisar a própria cidade: suas ruas, prédios, costumes, trabalhadores, manifestações culturais, patrimônio, personagens e acontecimentos.
Um exemplo significativo é o Projeto Memória Visual, desenvolvido com orientação de Juarez. Uma publicação acadêmica sobre o Cariri paraibano registra que determinados relatos sobre a região foram registrados nesse projeto, sob sua orientação, quando ele atuava na Escola Senador José Gaudêncio.
Projeto “Viva a História”
Outro elemento importante de sua trajetória é a criação/manutenção do blog “Viva a História”, que funciona como um verdadeiro acervo digital de história e memória.
O blog reúne fotografias antigas, pesquisas, textos históricos, atividades escolares, registros de alunos, acontecimentos de Serra Branca e conteúdos relacionados à história do Brasil, da Paraíba e do Cariri.
Há publicações no acervo desde pelo menos 2015, e ele continuou sendo atualizado nos anos seguintes, chegando a registros de 2025.
O projeto também registra atividades pedagógicas realizadas com seus alunos. Em 2015, por exemplo, aparecem diversas fotografias de Juarez com estudantes da Escola Senador José Gaudêncio.
Assim, o “Viva a História” pode ser entendido não apenas como um blog pessoal, mas como parte de seu trabalho de educação patrimonial e preservação da memória local.
Projetos sociais e educacionais
Os registros mostram que sua atuação em sala de aula também ultrapassou o ensino tradicional da disciplina.
Em 2014, por exemplo, há registro de sua participação com alunos no projeto “Racismo? Tô Fora! Somos Todos Iguais”, realizado na Escola Estadual Senador José Gaudêncio.
Também há registros de uma tele-aula sobre Direitos Humanos, realizada em 2020 na mesma escola.
Em 2015, seus alunos participaram ainda do projeto “Jovem Educado, Idoso Bem Cuidado”, relacionado à valorização da pessoa idosa.
Isso mostra que sua prática profissional envolveu temas como história, cidadania, direitos humanos, combate ao racismo, valorização da pessoa idosa e identidade local.
Participação no Instituto Histórico e Geográfico de Serra Branca
Outro capítulo importante de sua trajetória é sua participação no Instituto Histórico e Geográfico de Serra Branca (IHGSB).
O instituto foi criado em 2015 e tem como objetivo fomentar pesquisas e preservar o patrimônio histórico, geográfico, cultural e social de Serra Branca e região.
Em 2021, Juarez aparece oficialmente como vice-presidente do IHGSB. Naquele ano, participou de uma reunião da diretoria com o prefeito de Serra Branca para discutir questões relacionadas ao instituto e à preservação da história e cultura do município.
Isso é particularmente importante porque demonstra que sua atuação como historiador não ficou limitada à escola: ele também participou institucionalmente de uma organização dedicada à pesquisa e preservação da memória municipal.
Pesquisa sobre Serra Branca
Sua produção demonstra uma forte dedicação à história de Serra Branca.
Além da pesquisa sobre a memória do trabalho, seu acervo reúne estudos e registros sobre:
* Serra do Jatobá;
* antigas praças;
* igrejas;
* procissões;
* antigas construções;
* comércio;
* trabalhadores;
* fotografias antigas;
* manifestações culturais;
* símbolos municipais;
* bandeira e brasão;
* história política;
* patrimônio cultural;
* personagens da história local.
Em 2023, por exemplo, publicou material sobre “Um pouco da história de Serra Branca”, apresentando o município sob a perspectiva histórica e cultural.
Reconhecimento como professor
Há também registro público de uma homenagem recebida por Juarez.
Em setembro de 2023, o próprio acervo registra que o professor de História Juarez Ribeiro de Araújo foi homenageado pela Escola Municipal Joaquim Dias Borba, em Serra Branca.
Esse registro é significativo porque mostra que sua trajetória profissional também é reconhecida no ambiente escolar do município.
Atuação mais recente
A atividade profissional e cultural de Juarez não ficou restrita aos anos anteriores.
Em 2025, aparecem registros de sua participação em atividades relacionadas à história e aos símbolos oficiais de Serra Branca.
Um dos episódios mais interessantes ocorreu em agosto de 2025, quando o professor participou de uma atividade na Câmara Municipal de Serra Branca, prestando informações sobre a simbologia da bandeira do município, dentro do processo de oficialização da bandeira e criação do Dia da Bandeira de Serra Branca, por meio do Projeto de Lei nº 036/2025.
Em setembro daquele ano, seu acervo registra novamente sua participação na Câmara durante a oficialização da bandeira, junto a alunos e à direção da Escola Municipal Cônego João Marques Pereira.
Isso demonstra uma continuidade muito interessante: o professor que durante anos trabalhou a história local com estudantes passou também a contribuir para discussões institucionais sobre a própria identidade histórica e simbólica do município.
Atuação na rede estadual
Há ainda registros oficiais do Governo da Paraíba que confirmam sua presença na rede pública estadual.
Em 2016, Juarez Ribeiro de Araújo aparece na relação de professores da rede estadual que concluíram inscrição no programa Mestres da Educação, associado à Escola Estadual de Ensino Médio Senador José Gaudêncio.
Mais recentemente, seu nome também aparece em documento oficial de 2026 relacionado à inscrição de professores da Rede Pública Estadual de Ensino da Paraíba no Prêmio Professor Nota 1000. Sua inscrição consta como homologada, com o projeto identificado pelo número 31440.
Isso indica que sua atuação como educador permanece registrada oficialmente na rede estadual.
⸻
Em resumo
A trajetória profissional de Juarez Ribeiro de Araújo pode ser entendida em três grandes dimensões:
1. Professor:
Atuação na educação básica, especialmente na Escola Estadual Senador José Gaudêncio e na Escola Municipal Cônego João Marques Pereira, desenvolvendo aulas, projetos e atividades com estudantes.
2. Historiador e pesquisador:
Especialista em História do Brasil e da Paraíba, com trabalho acadêmico dedicado à Memória Visual do Trabalho em Serra Branca, utilizando fotografias e relatos orais para preservar a história local.
3. Preservador da memória de Serra Branca:
Atuação no Instituto Histórico e Geográfico de Serra Branca, participação em projetos culturais, produção do acervo “Viva a História”, pesquisas sobre o município e contribuição para discussões sobre patrimônio e símbolos municipais.
O mais marcante em sua trajetória é justamente a união dessas três funções. Ele não apenas ensina História: utiliza a própria Serra Branca como objeto de estudo e transforma alunos, fotografias, moradores, documentos e memórias em fontes para preservar a identidade histórica do município.
A Guerra do Paraguai
A Guerra do Paraguai (1864–1870) foi um conflito armado que envolveu o Paraguai contra a Tríplice Aliança (Brasil, Argentina e Uruguai). Considerada a mais longa e sangrenta guerra da história da América do Sul, resultou em grande destruição e perdas humanas para todos os países envolvidos, especialmente o Paraguai.
* Causas:
Expansão territorial:
O Paraguai, liderado por Francisco Solano López, tinha ambições expansionistas na região do Rio da Prata, buscando acesso ao mar e controle sobre rotas comerciais.
Interesses econômicos:
Brasil, Argentina e Uruguai tinham interesses econômicos e estratégicos na região do Rio da Prata, incluindo controle sobre o comércio fluvial e a livre navegação.
Disputas políticas internas:
A Argentina e o Uruguai enfrentavam instabilidade política, com conflitos entre diferentes grupos, e o Paraguai buscava influenciar esses conflitos em seu favor.
Atitudes de Solano López:
A postura autoritária e expansionista de Solano López, que se autoproclamou marechal, contribuiu para o aumento das tensões e para o início da guerra.
* Consequências:
Destruição do Paraguai:
O Paraguai sofreu perdas humanas significativas (estimativas variam de 1/3 a 2/3 da população) e teve sua infraestrutura devastada.
Mudanças políticas:
A guerra alterou o equilíbrio de poder na região, com a ascensão da Argentina e a consolidação do Brasil como potência regional.
Batalhas:
Houve diversas batalhas significativas, como a Batalha do Riachuelo (vitória brasileira), a Batalha de Tuiuti (vitória brasileira), a Batalha de Curupaiti (vitória paraguaia) e a Batalha de Cerro Corá (desfecho do conflito).
A guerra terminou em 1870, com a morte de Solano López e a derrota do Paraguai.
A Guerra do Paraguai permanece um tema complexo e controverso na história da América do Sul, com diferentes interpretações e visões sobre suas causas e consequências.
O que é pintura rupestre?
A pintura rupestre representa uma das formas de expressão artística e comunicação mais antigas da humanidade, funcionando como um registro visual do cotidiano, dos rituais e do ambiente de povos pré-coloniais. Elaboradas em paredões de rocha, grutas e cavernas, essas obras eram feitas a partir de pigmentos minerais como óxido de ferro, carvão e extratos vegetais. No Brasil, essa tradição milenar ganha enorme destaque pela variedade de estilos e pela quantidade de sítios arqueológicos preservados de norte a sul do país.
O maior exemplo nacional é o Parque Nacional Serra da Capivara, localizado no Piauí e reconhecido como Patrimônio Mundial pela UNESCO. O local abriga a maior concentração de arte rupestre das Américas, com painéis que chegam a ter mais de 12.000 anos e retratam cenas da fauna local — como capivaras, cervos e onças —, além de figuras humanas em atividades coletivas.
Outras regiões do país também guardam acervos valiosos, como o Parque Nacional Cavernas do Peruaçu, em Minas Gerais, famoso por suas cavernas monumentais e painéis policromos bem conservados, e o Lajedo do Soledade, no Rio Grande do Norte, onde a arte se manifesta em rochas calcárias em meio à Caatinga.
Para a elaboração deste panorama, destacam-se como referências fundamentais os estudos do Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (IPHAN) sobre o patrimônio arqueológico brasileiro e o acervo da Fundação Museu do Homem Americano (Fumdham), instituição que coordena as pesquisas científicas na Serra da Capivara. Complementam estas fontes as publicações da arqueóloga Niède Guidon acerca da ocupação pré-histórica nas Américas e o inventário oficial de bens protegidos da UNESCO.
quarta-feira, 19 de agosto de 2026
sexta-feira, 14 de agosto de 2026
Assinar:
Postagens (Atom)















