sexta-feira, 6 de novembro de 2026

INTÉRPRETES, TROPEÇOS E ALIANÇA POTIGUARA: O LONGO ENSAIO DO BRASIL HOLANDÊS

Em artigo recentemente publicado, os historiadores Hugo André F. Araújo e Maria Eduarda M. Brandão examinam as décadas anteriores à invasão de Pernambuco pelos holandeses, em 1630, buscando conectar "episódios frequentemente tratados de forma isolada" a uma trama mais ampla. O ponto central é demonstrar que a ocupação neerlandesa resultou de "um aprendizado gradual, baseado em tentativas, erros e acertos". A expedição de Jan Bautista Syens a Mucuripe (1600) levou o intérprete Cajonen, que "havia morado entre os selvagens do Rio Grande"; Syens concluiu: "Nada fizemos, e antes perdemos do que ganhamos". Paulus van Caerden fracassou perante Salvador, em 1604, repelido por arqueiros indígenas. Em 1619, o intérprete francês Maraquatim não conseguiu dialogar com os Goitacazes, falantes de língua do tronco macro-jê, e o contato dependeu de Antonio Petigoara, indígena sequestrado pelos invasores. A inflexão veio em 1625, em Baía da Traição. Segundo Joannes de Laet, os Potiguara ofereceram seus serviços "contra os Portugueses, cujo jugo suportavam mal sofridos". O artigo sublinha que "os indígenas tomaram a iniciativa do contato e propuseram uma aliança". Treze Potiguara partiram com Boudewijn Hendricksz aos Países Baixos, onde forneceram "informações vitais para os planos de ocupação de Pernambuco". Entre eles estavam Antônio Paraupaba e Pedro Poty, futuros regedores do Rio Grande e da Paraíba. Conforme tipologia de Alida Metcalf, os indígenas atuaram como intermediários físicos, ao representar seu povo nos Países Baixos; transacionais, ao negociar alianças; e representacionais, ao descrever o território, suas riquezas e a geografia das alianças. Os Potiguara emergem como agentes que escolhiam aliados e negociavam conforme agendas próprias. Fonte: ARAÚJO, H. A. F. F.; BRANDÃO, M. E. M. Relações globais, inimigos em comum: o papel dos intermediários e das alianças indígenas nas investidas inglesas e neerlandesas no Brasil contra o domínio ibérico. Sæculum, v. 31, 2026. Imagem: "Engenho de açúcar" com indígenas aldeados, provavelmente de origem tupi (Frans Post, 1652). Landesmuseum, Mainz.

O Clube da Esquina

O Clube da Esquina surgiu no início da década de 1960, em Belo Horizonte. Ao mudar-se para a cidade em 1963, Milton Nascimento, o Bituca, foi morar no Edifício Levy, onde vivia a família Borges. Segundo Lô Borges, o primeiro encontro entre eles foi mágico: ao descer a escadaria do prédio para ir comprar pão, o músico, na época com dez anos de idade, ouviu alguns sons vindos dos andares de baixo. Ao chegar no quinto andar, ele se deparou com Milton Nascimento tocando uma belíssima canção — assim começava uma amizade. No entanto, Milton se aproximou primeiro dos outros irmãos, Marilton e Márcio Borges, que se tornou um dos letristas mais importantes para as suas primeiras composições. Antes disso, o cantor já era amigo do pianista Wagner Tiso, com quem tocava no conjunto W's Boys. Nessa época, o ponto de encontro era a esquina das ruas Divinópolis com Paraisópolis, no tradicional bairro de Santa Tereza. Embora muita gente acredite que tenha existido um clube de fato, isso nunca aconteceu: era chamada de "Clube da Esquina" a reunião de jovens músicos que acontecia no cruzamento das ruas Divinópolis com Paraisópolis, no bairro de Santa Tereza, em Belo Horizonte.

Em 31 de outubro de 1517, o monge e teólogo alemão Martinho Lutero apresentou suas 95 Teses, um documento que criticava práticas da Igreja Católica, especialmente a venda de indulgências.

O episódio é considerado o marco inicial da Reforma Protestante, movimento que transformou profundamente o cristianismo e a história da Europa. Na época, a Igreja oferecia indulgências, associadas à remissão das penas temporais pelos pecados. Lutero contestava a forma como essa prática era promovida e comercializada, argumentando que o perdão divino não deveria ser tratado como uma mercadoria. Suas críticas também questionavam a autoridade papal em questões relacionadas à salvação. A tradição conta que Lutero pregou o documento na porta da Igreja do Castelo de Wittenberg, na atual Alemanha, para convidar outros teólogos a debater o assunto. Entretanto, historiadores discutem se ele realmente realizou esse gesto: há evidências de que enviou as teses ao arcebispo Alberto de Brandemburgo, mas o episódio da porta só foi registrado posteriormente. Escritas originalmente em latim, as teses foram reproduzidas e traduzidas para o alemão, alcançando um público muito maior do que o inicialmente previsto. A imprensa de tipos móveis contribuiu para espalhar rapidamente as ideias de Lutero por diferentes regiões europeias. O conflito com as autoridades religiosas se intensificou nos anos seguintes. Em 1521, Lutero foi excomungado pelo papa Leão X e declarado proscrito pelo imperador Carlos V. Suas ideias, porém, deram impulso à Reforma Protestante, que levou ao surgimento de novas denominações cristãs e provocou profundas mudanças religiosas, políticas e sociais na Europa. 📸 Getty Images #martinholutero #teses #reformaprotestante #historia

Em 1º de novembro de 1512, as pinturas do teto da Capela Sistina foram apresentadas ao público pela primeira vez, durante uma missa celebrada pelo papa Júlio II no Dia de Todos os Santos. A obra monumental, realizada por Michelangelo Buonarroti, havia sido concluída pouco antes, após cerca de quatro anos de trabalho.

Encarregado do projeto em 1508, Michelangelo recebeu inicialmente a tarefa de pintar os 12 apóstolos e elementos decorativos. Insatisfeito com a proposta, convenceu o pontífice a permitir uma composição muito mais ambiciosa, inspirada em passagens da Bíblia e que transformaria o teto da capela em uma das obras mais célebres da arte ocidental. O conjunto reúne nove cenas centrais do livro do Gênesis, incluindo a criação do mundo, a expulsão de Adão e Eva do Jardim do Éden e o Dilúvio. Ao redor delas, o artista representou profetas, sibilas — figuras femininas da tradição antiga associadas às profecias — e antepassados de Cristo. A execução exigiu um trabalho físico intenso, realizado sobre andaimes instalados a vários metros do chão. Embora a imagem popular mostre Michelangelo pintando deitado, ele trabalhou principalmente em pé, com a cabeça inclinada para trás, numa posição que exigia grande esforço durante longos períodos. Mais de duas décadas depois, Michelangelo voltou à Capela Sistina para pintar outra obra monumental: O Juízo Final, concluída em 1541 na parede atrás do altar. As duas criações consolidaram seu legado e fizeram do local um dos espaços artísticos mais conhecidos do mundo. 📸 Getty Images #michelangelo #capelasistina #juizofinal #arte

Cientistas encontraram células sanguíneas num fóssil de dinossauro, o Aratasaurus museunacionali, que viveu há cerca de 115 milhões de anos, onde hoje é a Chapada do Araripe.

De acordo com a pesquisa, os glóbulos vermelhos apresentaram uma preservação incomum, já que a degradação e a contaminação dos tecidos e das moléculas costumam ser rápidas. O sítio arqueológico, a Formação Romualdo, está localizado numa tríplice divisa entre os estados do Pernambuco, Ceará e Piauí. Segundo a pesquisa, o animal era um dinossauro terópode, um grupo de dinossauros bípedes, com ossos ocos e pneumáticos, ou seja, com cavidades internas preenchidas por ar. A análise dos pesquisadores identificou no fóssil uma molécula essencial do sangue, a heme B, e produtos de redução da heme B, localizados nos canais vasculares do animal. A detecção das biomoléculas nos fósseis funciona do isolamento molecular, a partir da análise dos extratos orgânicos do tecido fóssil, que pode identificar moléculas biomarcadoras específicas, fazendo uma comparação entre o tempo de retenção, espectros de absorção UV-Vis e espectros de massa com padrões modernos autênticos. "Detectar moléculas intactas derivadas do heme em glóbulos vermelhos de 115 milhões de anos é surpreendente: esta é realmente uma descoberta histórica. Isso não apenas amplia o registro fóssil conhecido do sangue, mas também oferece uma janela molecular direta para a fisiologia de animais extintos há muito tempo, para que possamos entendê-los melhor e ao mundo em que viviam." Kliti Grice, principal autora do estudo O estudo foi publicado, nesta segunda-feira (2), na revista National Academy of Sciences. Apesar de a descoberta envolver um fóssil brasileiro, a pesquisa foi liderada pela australiana Kliti Grice, professora da Universidade Curtin. Quatro brasileiros participaram da pesquisa: Renan Bantim, Universidade Regional do Cariri Antônio Saraiva, Universidade Regional do Cariri Juliana Sayão, Universidade Federal do Rio de Janeiro/ Museu Nacional Alexander Kellner, Universidade Federal do Rio de Janeiro/ Museu Nacional Leia a matéria completa em maiscariri.com Foto: Maurílio Oliveira/ Museu Nacional/UFRJ Fonte: CNN Brasil

3 de novembro é lembrado como o Dia da Instituição do Direito de Voto da Mulher no Brasil, um marco de uma luta que atravessou décadas e mobilizou mulheres em diferentes regiões do país.

Até o início do século XX, a participação feminina na política brasileira era limitada, e as mulheres não tinham o direito de votar em âmbito nacional. A reivindicação pelo sufrágio feminino ganhou força especialmente a partir da década de 1920, com a organização de movimentos que defendiam a igualdade de direitos políticos. Entre suas principais representantes estava Bertha Lutz, que fundou a Federação Brasileira pelo Progresso Feminino, em 1922. Em 1930, um projeto de lei que previa a extensão do direito de voto às mulheres já havia avançado no Senado, chegando à segunda discussão. No entanto, a Revolução de 1930 e o encerramento das atividades parlamentares interromperam sua tramitação. Com a chegada de Getúlio Vargas ao poder e a reorganização das instituições políticas, a questão voltou à pauta. Em 24 de fevereiro de 1932, foi promulgado o novo Código Eleitoral, por meio do Decreto nº 21.076, que reconheceu nacionalmente o direito das mulheres de votar e serem votadas. No ano seguinte, as brasileiras participaram pela primeira vez de uma eleição nacional. Em 1934, o voto feminino também foi incorporado à Constituição Federal. Referências: * Postagem 1 (Vale dos Reis e Tutancâmon — aventurasnahistoria): * Imagem original com crédito a Getty Images. * Postagem 2 (Padre Zé — memoriasparaibanas): * A União — Padre Zé foi um símbolo de devoção (5 nov. 2025) * Paraíba Criativa — Padre Zé * Hospital Padre Zé — Conheça o Instituto São José * Câmara dos Deputados — Registro sobre a fundação do Hospital Padre Zé * Postagem 3 (Preguiças-gigantes em Santa Elina — canalclubedoconhecimento): * Royal Society (Artigo publicado em 12 de julho de 2023 na revista Proceedings of the Royal Society B) * Pesquisa FAPESP * Smithsonian Institution * Postagem 4 (Direito de Voto da Mulher no Brasil — canalhistory): * Postagem informativa baseada no histórico da legislação brasileira (Decreto nº 21.076 de 1932 e Constituição Federal de 1934).

No sítio arqueológico Santa Elina, em Mato Grosso, pesquisadores encontraram placas ósseas de preguiças-gigantes modificadas intencionalmente por seres humanos há aproximadamente 25 mil a 27 mil anos.

O achado representa uma das possíveis evidências mais antigas da presença humana no Brasil. Publicado em 12 de julho de 2023 na revista Proceedings of the Royal Society B, o estudo analisou três osteodermes, estruturas ósseas que funcionavam como uma armadura natural sob a pele desses animais. Com microscopia óptica e eletrônica, fotoluminescência e microtomografia com radiação síncrotron, os pesquisadores identificaram perfurações, polimento e marcas de desgaste compatíveis com o uso de ferramentas humanas. As peças provavelmente serviam como adornos pessoais e foram modificadas antes do soterramento e da fossilização. Santa Elina também preserva ferramentas de pedra, pinturas rupestres e milhares de restos de preguiças-gigantes da espécie Glossotherium phoenesis. Métodos distintos de datação apontaram idades de aproximadamente 25,1 mil e 27 mil anos. Qual a importância da descoberta? A datação situa a presença humana no local milhares de anos antes da cultura Clóvis, associada a cerca de 13 mil anos atrás na América do Norte. Embora não determine quando nem por onde os primeiros habitantes chegaram ao continente, o achado reforça as evidências de ocupações anteriores a esse período e contribui para o debate sobre o povoamento das Américas. 📚 Fontes: Royal Society | Pesquisa FAPESP | Smithsonian Institution