domingo, 27 de setembro de 2026
Os Prisioneiros de guerra alemães de Stalin
Na primavera de 1945, colunas de prisioneiros alemães marchavam rumo ao leste, depois da queda de Königsberg — a antiga capital da Prússia Oriental, a joia do extremo alemão que foi a primeira grande cidade a tombar diante do Exército Vermelho. Marchavam derrotados, famintos, de olhos fundos. Marchavam sem saber que, para a maioria, aquele caminho seria sem volta.
Stalin queria que aqueles homens pagassem pelo estrago da guerra. Que os soldados da Wehrmacht, que haviam devastado cidades, queimado vilas e reduzido a Rússia a escombros, trabalhassem agora para reconstruí-la.
A guerra entregou à União Soviética cerca de 3 milhões de soldados alemães. Os arquivos de Moscou registram que pelo menos 381 mil morreram em campos administrados pelo NKVD. Mas os números apurados por historiadores alemães são ainda mais brutais: de 3,06 milhões capturados, entre 1,09 e 1,1 milhão jamais retornaram.
Os que sobreviveram foram lançados em minas, canteiros de obras, ferrovias, barragens, portos e fábricas. Forçados a reconstruir aquilo que haviam destruído, ergueram casas para abrigar famílias soviéticas enquanto eles mesmos viviam em barracões fétidos. Subnutridos, doentes, quebrados por dentro, carregariam para sempre os fantasmas de cativeiros que a sociedade preferiu esquecer.
E os últimos deles só cruzariam de volta a fronteira em 1956, mais de uma década depois do fim da guerra.
Texto de Paulo Henrique Máximo Lacerda – A História Esquecida
sexta-feira, 25 de setembro de 2026
Recentemente, um grupo de pesquisadores decidiram descobrir qual seria a temperatura corporal do rei dos dinossauros, o T. rex.
Conhecido por sua mandíbula poderosa e seus curtos braços, os Tiranossauros rex viveram no final do Período cretáceo (143,1 milhões a 66 milhões de anos atrás), foi um dos maiores dinossauros carnívoros que já existiu.
Sua alimentação era mista, ia desde presas frescas que corriam atrás a até corpos em decomposição que encontrava pelo caminho. Mas para tudo isso, não era possível ser um animal que se aquecia conforme a luz solar, como os répteis modernos. Daí então surgiu a dúvida: Qual era a temperatura do sangue dos T. rex? A resposta estava justamente nas suas melhores armas, os dentes.
Através de diferentes isótopos, os cientistas puderam calcular formações de elementos químicos no esmalte do dente dos T. rex que comprovasse a temperatura corporal deles. Isótopos raros e pesados de carbono e oxigênio se ligam de maneira diferente no esmalte dentário dependendo da temperatura.
Nesse sentido, em animais de sangue frio, as ligações entre esses isótopos é maior do que em animais de temperatura quente. Ou seja, animais endotérmicos, que podem regular sua própria temperatura corporal, têm menos ligações químicas em seus dentes do que animais de sangue frio, ou ectotérmicos, que dependem de seu ambiente para se aquecer.
Partindo disso, os cientistas descobriram que ao medir as ligações no dióxido de carbono (CO2) emitidas ao dissolver pequenas amostras dos dentes de T. rex, poderiam calcular qual seria, em média, a temperatura do corpo do rei dos dinossauros.
De acordo com Randon Flores, um geólogo da Universidade da Califórnia, em Los Angeles (UCLA), e seus colegas que escreveram o artigo publicado na Science Advances, a temperatura corporal dos T. rex era de 36,3 graus Celsius. Ou seja, extremamente semelhante a dos humanos e dos elefantes.
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📷 Getty Images
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Referências
Fonte da publicação: Perfil do Instagram @aventurasnahistoria.
Artigo científico citado: FLORES, Randon et al. The body temperature of Tyrannosaurus rex. Science Advances, 2026. DOI: 10.1126/sciadv.aeb7653.
Em junho de 1893, Antônio Conselheiro chegou a um povoado às margens do rio Vaza-Barris, no interior da Bahia. Andava pelo sertão havia 20 anos. Rebatizou o lugar de Belo Monte.
O Brasil conheceria pelo nome antigo: Canudos.
Chegou gente de todo o Nordeste. Sertanejos sem terra, pessoas libertas pela abolição de 1888 e famílias que a seca tinha empurrado para longe de casa.
Ali eles tocaram roças e criaram rebanhos. Boa parte do que se produzia era repartida entre todos.
Entre 1896 e 1897, a República mandou 4 expedições militares contra o arraial. As 3 primeiras foram derrotadas pelos próprios moradores.
A quarta cercou o lugar com batalhões de infantaria e canhões. O fim veio em 5 de outubro de 1897.
E aqui está o detalhe que quase ninguém conta.
Antes de destruir tudo, o Exército contou as casas. Registrou 5.221 habitações. Depois multiplicou por 5 moradores cada uma e chegou ao número que todo livro repete até hoje: 25 mil habitantes. Isso faria de Canudos a segunda cidade mais populosa da Bahia, atrás apenas de Salvador.
Só que censo não houve. Foi uma conta de multiplicação.
O historiador José Calasans, uma das maiores autoridades brasileiras sobre o assunto, contestou esse número. Para ele, o Exército inflou a contagem para justificar diante da opinião pública por que tantos meses de guerra tinham dado errado.
Ou seja: o número mais famoso sobre Canudos foi produzido por quem destruiu Canudos.
E tem o fim da história, que é o mais estranho de todos.
A ideia de represar o Vaza-Barris bem ali nasceu ainda no governo de Getúlio Vargas. A obra começou em 1951 e o açude Cocorobó ficou pronto em 1968.
O antigo arraial ficou embaixo d'água.
Em anos de seca forte, quando o nível do açude baixa, as ruínas voltam a aparecer.
Você aprendeu sobre Canudos na escola?
Referências
* Fonte da publicação: Perfil do Instagram @historiailtda.
* Historiador citado: CALASANS, José. (Obras e pesquisas sobre a Guerra de Canudos e o número de habitantes do arraial de Belo Monte).
Forro dos Quatro Continentes. Um dos destaques no pavimento superior da antiga Casa de Intendência e Fundição de Sabará.
A imagem sugere as quatro partes do mundo como quatro alegorias, personificando os territórios em questão. Sao muito parecidas com as gravuras das alegorias de Europa, África, Ásia e América representadas no clássico Iconologia, de Cesare Ripa.
Serge Gruzinski comenta que já no século XVI: "Assim como as imagens, os livros impressos na Europa dão a volta ao mundo e ultrapassam as fronteiras da monarquia católica. Um exemplar do Teatro do mundo, do geógrafo antuerpiense, Abraham Ortelius, chega ao Japão, antes de ser oferecido ao imperador da China, por Matteo Ricci. (...)
As conquistas exteriores tanto quanto a navegação, o desvio da tradição imperial assim como o expansionismo ibérico, as ambições universalistas do cristianismo, a ostentação das riquezas contribuíram assim para forjar uma outra abordagem do mundo, doravante concebido como um conjunto de terras ligadas entre si e submetidas a um mesmo príncipe. A mobilização dos imaginários nutriu-se também das esperanças messiânicas e militaristas que sustentam os empreendimentos de Cristóvão Colombo, as políticas dos reis católicos e do rei de Portugal, dom Manuel, antes de aflorar nas especulações ligadas à figura imperial de Carlos Quinto e a de seu sucessor Felipe. (...) É nesse contexto que o termo mundo surge nas penas mais diversas."
5 dias atrás
Fontes e Referências
Perfil de Origem: brasilis_regnum
Obra Histórica / Pintura: Forro dos Quatro Continentes (1782), de Marcelino José de Mesquita.
Local de Preservação / Acervo: Museu do Ouro (antiga Casa de Intendência e Fundição), Sabará – Minas Gerais.
Obras e Obras Literárias Citadas no Texto:
RIPA, Cesare. Iconologia.
ORTELIUS, Abraham. Teatro do mundo (Theatrum Orbis Terrarum).
Autor / Historiador Citado: GRUZINSKI, Serge.
Personagens Históricos Mencionados: Matteo Ricci, Cristóvão Colombo, D. Manuel I (Rei de Portugal), Carlos Quinto (Carlos V) e Felipe.
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