sexta-feira, 25 de setembro de 2026
Em junho de 1893, Antônio Conselheiro chegou a um povoado às margens do rio Vaza-Barris, no interior da Bahia. Andava pelo sertão havia 20 anos. Rebatizou o lugar de Belo Monte.
O Brasil conheceria pelo nome antigo: Canudos.
Chegou gente de todo o Nordeste. Sertanejos sem terra, pessoas libertas pela abolição de 1888 e famílias que a seca tinha empurrado para longe de casa.
Ali eles tocaram roças e criaram rebanhos. Boa parte do que se produzia era repartida entre todos.
Entre 1896 e 1897, a República mandou 4 expedições militares contra o arraial. As 3 primeiras foram derrotadas pelos próprios moradores.
A quarta cercou o lugar com batalhões de infantaria e canhões. O fim veio em 5 de outubro de 1897.
E aqui está o detalhe que quase ninguém conta.
Antes de destruir tudo, o Exército contou as casas. Registrou 5.221 habitações. Depois multiplicou por 5 moradores cada uma e chegou ao número que todo livro repete até hoje: 25 mil habitantes. Isso faria de Canudos a segunda cidade mais populosa da Bahia, atrás apenas de Salvador.
Só que censo não houve. Foi uma conta de multiplicação.
O historiador José Calasans, uma das maiores autoridades brasileiras sobre o assunto, contestou esse número. Para ele, o Exército inflou a contagem para justificar diante da opinião pública por que tantos meses de guerra tinham dado errado.
Ou seja: o número mais famoso sobre Canudos foi produzido por quem destruiu Canudos.
E tem o fim da história, que é o mais estranho de todos.
A ideia de represar o Vaza-Barris bem ali nasceu ainda no governo de Getúlio Vargas. A obra começou em 1951 e o açude Cocorobó ficou pronto em 1968.
O antigo arraial ficou embaixo d'água.
Em anos de seca forte, quando o nível do açude baixa, as ruínas voltam a aparecer.
Você aprendeu sobre Canudos na escola?
Referências
* Fonte da publicação: Perfil do Instagram @historiailtda.
* Historiador citado: CALASANS, José. (Obras e pesquisas sobre a Guerra de Canudos e o número de habitantes do arraial de Belo Monte).
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