segunda-feira, 14 de setembro de 2026

A MULHER QUE SE TORNOU FARAÓ Quando pensamos no Egito Antigo, imaginamos faraós homens cobertos de ouro, usando coroas, barbas cerimoniais e símbolos de poder. Mas, há cerca de 3.500 anos, uma mulher ocupou esse lugar e governou o Egito com autoridade de faraó.

Seu nome era Hatshepsut. Filha do faraó Tutmés I, Hatshepsut tornou-se esposa de seu meio-irmão, Tutmés II. Após a morte dele, assumiu inicialmente a regência em nome do jovem Tutmés III, seu enteado e sobrinho. Em algum momento entre os primeiros anos dessa regência, porém, Hatshepsut passou a adotar a titulatura completa de um rei do Egito, incluindo o nome de trono Maatkare. Ela não governou simplesmente como uma mulher ocupando temporariamente o lugar de um homem. Ela se apresentou como faraó. E isso aparece de maneira impressionante em suas estátuas. Hatshepsut foi representada usando o nemes, a saia real, a coroa e até a barba falsa tradicional dos reis. Mas as inscrições identificam claramente seu nome e, em alguns casos, utilizam formas femininas. Não era uma tentativa de esconder que ela era mulher. Era uma maneira de encaixar sua autoridade dentro da tradição política e religiosa do Egito. Seu reinado ficou marcado por grandes projetos arquitetônicos, entre eles o magnífico templo funerário de Deir el-Bahari, em Tebas. As enormes estátuas que cercavam o templo apresentavam Hatshepsut como o rei ideal, transmitindo uma mensagem simples: ela possuía o poder legítimo do faraó. Mas sua história também revela como o poder pode ser apagado. Depois de sua morte, diversas representações de Hatshepsut foram destruídas ou desmontadas, e seu nome acabou sendo retirado de alguns monumentos. Uma das estátuas do templo, por exemplo, foi quebrada em numerosos fragmentos. Ainda assim, ela não desapareceu. Milhares de anos depois, suas estátuas, monumentos e inscrições permitem reconstruir a trajetória de uma mulher que entrou em um sistema dominado por homens e não aceitou permanecer apenas à sombra do trono. Referências e Fontes Acadêmicas * Obras de Referência Egiptológica: * TYLDESLEY, Joyce. Hatchepsut: The Female Pharaoh. Londres: Viking, 1996. (Biografia detalhada cobrindo a regência, a adoção da titulatura masculina, a expedição a Punt e a posterior damnatio memoriae). * WILKINSON, Richard H. The Complete Temples of Ancient Egypt. Londres: Thames & Hudson, 2000. (Documentação detalhada do complexo funerário de Deir el-Bahari). * Acervos de Museus e Catálogos (Estátuas e Inscrições): * The Metropolitan Museum of Art (Met Museum, Nova York): Custodifica diversas estátuas de Hatshepsut vestida com a saia real, nemes e barba falsa — muitas das quais foram reconstituídas a partir dos fragmentos destruídos após sua morte (escavações da Expedição Egípcia do Met Museum em Deir el-Bahari). * Museu do Cairo (Egito): Guarda estátuas e blocos inscritos contendo o nome de trono Maatkare e os títulos reais adaptados. * Fenômeno do Apagamento Histórico (Damnatio Memoriae): * DORMAN, Peter F. The Monuments of Senenmut: Problems in Historical Methodology. Londres: Kegan Paul International, 1988. (Analisa a remoção sistemática das imagens e nomes de Hatshepsut durante o reinado solo de Tutmés III).

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