domingo, 30 de agosto de 2026

O Rabino Chefe do Brasil Holandês

O Rabino Chefe do Brasil Holandês Isaac Aboab da Fonseca (1605-1693) foi um rabino, místico cabalista e escritor sefardita. Nasceu em Castro Daire, Portugal, como Simão da Fonseca, em família marrana (judeus forçados à conversão católica que mantinham secretamente ritos judaicos). Após a morte do pai, fugiram da Inquisição, primeiro para St. Jean de Luz, depois (1612) para Amsterdã, onde a família voltou abertamente ao judaísmo. Aos 18 anos tornou-se rabino (chacham) da comunidade Beth Israel. Em 1642 foi nomeado rabino da Sinagoga Kahal Zur Israel, em Recife (colônia holandesa de Pernambuco) uma das primeiras sinagogas das Américas. A comunidade sefardita local, majoritariamente de cristãos-novos portugueses que apoiavam os holandeses contra Espanha e a Igreja Católica, prosperava no comércio de açúcar, tabaco e no tráfico de escravos, além de financiar a construção de Mauríciópolis sob Maurício de Nassau. Durante a reconquista portuguesa, Aboab liderou orações e jejuns de apoio à resistência, comparando a salvação da comunidade (com a chegada da frota holandesa) ao Mar Vermelho. Escreveu o poema "Mi Kamókha", atacando duramente João Fernandes Vieira e outros insurgentes; o poema passou a ser lido ritualmente na sinagoga. Tornou-se rabino-chefe da comunidade sefardita. Em 1656 participou da excomunhão de Spinoza; entre 1665-1666 apoiou o falso messias Sabbatai Zevi. Liderou a construção da Grande Sinagoga Portuguesa de Amsterdã (inaugurada em 1675). Foi amigo do padre Antônio Vieira. Em 1681 publicou uma tradução do Pentateuco para o espanhol, importante para ex-conversos que não liam hebraico. Morreu em 1693, aos 88 anos, após décadas de liderança religiosa, cego nos últimos anos de vida.

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