terça-feira, 8 de setembro de 2026
Dom Pedro de Alcântara, Príncipe Real do Reino Unido de Portugal, Brasil, Algarves e Dona Leopoldina, Arquiduqueza d 'Austria Princeza de Portugal, Brasil, Algarves. Ilustrações de Jean François Badoureau e Vaulier, 1816
Dom Pedro de Alcântara, Príncipe Real do Reino Unido de Portugal, Brasil, Algarves e Dona Leopoldina, Arquiduqueza d 'Austria Princeza de Portugal, Brasil, Algarves. Ilustrações de Jean François Badoureau e Vaulier, 1816.
As filhas de D. João e D. Carlota casaram-se, em 1816, com os seus tios Bourbons em Espanha, um dos quais era o atual Rei; em 1817 D. Pedro casou-se com D. Leopoldina da Áustria, fazendo parte do jogo de xadrez dos casamentos intradinásticos que buscavam consolidar alianças e compromissos mútuos. Era, portanto, um tempo de confiança nas instituições da realeza.
O ano de 1817 começou com enormes desafios para D. João. Em março, um motim explodiu em Pernambuco e os rebeldes tomaram o Recife, a capital da província. Conquistaram a cidade por três meses, estabelecendo um governo revolucionário contra D. João. A rebelião foi causada pelo descontentamento pernambucano com a centralização do poder no Rio. Apesar de ter vencido o motim pernambucano, D.João logo foi desafiado em Portugal por uma conspiração militar liderada por Gomes Freire de Andrada.
Em julho, os dois movimentos rebeldes foram controlados, embora não totalmente reprimidos. No entanto, nada impediu, quatro meses depois, as efusivas comemorações da chegada da princesa D. Carolina Josefa Leopoldina, arquiduquesa da Áustria, ao casamento com o herdeiro D. Pedro.
Em consequência da Revolução Liberal ocorrida em Portugal em 1820, a 25 de abril de 1821 a corte foi obrigada a regressar a Portugal. Uma esquadra de 11 navios levou D. João VI, a corte, a casa real e o tesouro real de volta ao continente, e apenas D. Pedro permaneceu no Brasil como regente do país, com amplos poderes contrabalançados por um conselho regencial. A princípio, o novo regente foi incapaz de dominar o caos: a situação foi dominada pelas tropas portuguesas, em condições anárquicas. A oposição entre portugueses e brasileiros tornou-se cada vez mais evidente. Fica claro na correspondência de Maria Leopoldina que ela abraçou calorosamente a causa da independência do Brasil.
Maria Leopoldina concebeu que a permanência na América era a solução para a defesa da legitimidade dinástica contra os excessos liberais
Fontes: * Sá, A. A Formação Dinástica da Casa de Bragança: Casamentos e Alianças Politicas na Época Moderna. Lisboa: Imprensa Nacional-Casa da Moeda, 2011.
* Tarcísio, J. A Revolução Pernambucana de 1817 e a Crise do Sistema Colonial. Recife: Editora Universitária da UFPE, 2005.
* Ollivier, B. D. Leopoldina: A Aventura da Imperatriz do Brasil. Rio de Janeiro: Record, 1999.
* Oliveira Lima, M. D. João VI no Brasil (1808-1821). Rio de Janeiro: Topbooks, 2006.
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