segunda-feira, 5 de janeiro de 2026
Museu Casa de Margarida Maria Alves
PARAHYBA E SUAS HISTÓRIAS. Museu Casa de Margarida Maria Alves
Sérgio Botelho – Entre os temas tratados pelo livro Memória e Verdade sobre a Ditadura, da historiadora, professora e pesquisadora Lúcia Guerra, se destaca a do direito ao não esquecimento, que visa guardar para a posteridade experiências marcantes numa determinada sociedade.
Nesse particular, merecem destaque os terríveis resultados das ações repressivas empreendidas pelo Estado brasileiro após o Golpe de 1964, como parte da política de aniquilamento da oposição ao regime.
Foi em meio ao estabelecimento de instrumentos de investigação sobre Mortos e Desaparecidos Políticos, em 1995, já com o país redemocratizado desde 1988, da Comissão da Anistia, em 2001, e da Comissão Nacional da Verdade, em 2011, que a tese do direito à memória passou a ganhar escala, no Brasil.
Na Paraíba, a partir do trabalho da Comissão da Verdade ficaram entendidas como ações repressivas mais notáveis os assassinatos de Alfredo Nascimento e João Pedro Teixeira, em 1962, antes mesmo da instalação da ditadura, e os desaparecimentos de João Alfredo Dias e Pedro Inácio de Araújo, em 1964. Vale dizer, o conjunto dos acontecimentos relacionados com a atuação das Ligas Camponesas. E já em 1983, o assassinato da sindicalista Margarida Maria Alves.
A primeira providência memorial, datada de 2001, celebrou Margarida, com a criação, em Alagoa Grande, sua terra natal, do Museu Casa de Margarida Maria Alves. Foi ali que a homenageada viveu na condição de presidente do Sindicato dos Trabalhadores Rurais.
O ato memorialista teve ao mesmo tempo escopos político e pedagógico. Político, porque cravou no centro urbano alagoa-grandense o marco material pretendido contra o esquecimento e a impunidade. Pedagógico, porque a casa-museu virou sala de aula para a cidade, um ponto onde é possível encontrar lembranças que ajudam a entender a luta por direitos no meio rural e o papel das mulheres nessa história.
No livro da professora Lúcia Guerra toda essa conjuntura é devidamente esmiunçada. Minhas crônicas memorialistas têm limite nos exíguos espaços para textos, nas redes sociais, e da pressa que têm as pessoas que nelas transitam.
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