segunda-feira, 5 de janeiro de 2026
Memorial das Ligas Camponesas
PARAHYBA E SUAS H ISTÓRIAS. Memorial das Ligas Camponesas
Sérgio Botelho – Ainda a respeito do livro Memória e Verdade sobre a Ditadura, da historiadora, professora e pesquisadora Lúcia Guerra, importante a inclusão, na obra, no capítulo sobre a ditadura na Paraíba, da criação do Memorial das Ligas Camponesas, em Sapé, cuja sede ocupa a casa em que antigamente morou o casal de líderes camponeses, João Pedro e Elizabeth Teixeira.
João Pedro Teixeira foi assassinado em 1962, ano em que também Alfredo Nascimento (o primeiro líder a ser morto), do Engenho Miriri, teve o mesmo fim, marcando o início da investida mais dura dos donos de terras contra lideranças dos trabalhadores rurais paraibanos. O movimento a que pertenciam era o das Ligas Camponesas, que reunia sindicatos organizados na defesa dos direitos dos trabalhadores do campo.
Embora as Ligas tenham nascido em Vitória de Santo Antão-Pernambuco (Engenho Galiléia), em 1955, elas se expandiram para a Paraíba, encontrando terreno fértil devido à exploração extrema dos trabalhadores rurais (cambão, meação e falta de direitos trabalhistas), o mesmo quadro que forjou o movimento no estado vizinho.
Após a morte de João Pedro, sua esposa Elizabeth Teixeira assumiu a liderança da Liga de Sapé, desafiando ameaças de morte e se tornando símbolo da resistência feminina no campo. Ocorrem, então, grandes comícios e ocupações simbólicas, fazendo crescer a tensão entre o movimento camponês e os proprietários de terra.
Logo após o golpe de 1º de abril de 1964, a caça às Ligas tornou-se mais brutal ainda. Foi quando aconteceram as prisões de João Alfredo Dias (Nego Fuba) e Pedro Inácio de Araújo (Pedro Fazendeiro), mortos na sequência, cujos corpos continuam formalmente desaparecidos até os dias de hoje. Embora também haja sido presa, Elizabeth Teixeira foi solta e passou a viver na clandestinidade até a década de 1980.
A criação do Memorial das Ligas e Lutas Camponesas aconteceu em 2011, instituição que guarda informações sobre a história do movimento.
Está tudo isso e muito mais no livro da professora Lúcia Guerra.
Museu Casa de Margarida Maria Alves
PARAHYBA E SUAS HISTÓRIAS. Museu Casa de Margarida Maria Alves
Sérgio Botelho – Entre os temas tratados pelo livro Memória e Verdade sobre a Ditadura, da historiadora, professora e pesquisadora Lúcia Guerra, se destaca a do direito ao não esquecimento, que visa guardar para a posteridade experiências marcantes numa determinada sociedade.
Nesse particular, merecem destaque os terríveis resultados das ações repressivas empreendidas pelo Estado brasileiro após o Golpe de 1964, como parte da política de aniquilamento da oposição ao regime.
Foi em meio ao estabelecimento de instrumentos de investigação sobre Mortos e Desaparecidos Políticos, em 1995, já com o país redemocratizado desde 1988, da Comissão da Anistia, em 2001, e da Comissão Nacional da Verdade, em 2011, que a tese do direito à memória passou a ganhar escala, no Brasil.
Na Paraíba, a partir do trabalho da Comissão da Verdade ficaram entendidas como ações repressivas mais notáveis os assassinatos de Alfredo Nascimento e João Pedro Teixeira, em 1962, antes mesmo da instalação da ditadura, e os desaparecimentos de João Alfredo Dias e Pedro Inácio de Araújo, em 1964. Vale dizer, o conjunto dos acontecimentos relacionados com a atuação das Ligas Camponesas. E já em 1983, o assassinato da sindicalista Margarida Maria Alves.
A primeira providência memorial, datada de 2001, celebrou Margarida, com a criação, em Alagoa Grande, sua terra natal, do Museu Casa de Margarida Maria Alves. Foi ali que a homenageada viveu na condição de presidente do Sindicato dos Trabalhadores Rurais.
O ato memorialista teve ao mesmo tempo escopos político e pedagógico. Político, porque cravou no centro urbano alagoa-grandense o marco material pretendido contra o esquecimento e a impunidade. Pedagógico, porque a casa-museu virou sala de aula para a cidade, um ponto onde é possível encontrar lembranças que ajudam a entender a luta por direitos no meio rural e o papel das mulheres nessa história.
No livro da professora Lúcia Guerra toda essa conjuntura é devidamente esmiunçada. Minhas crônicas memorialistas têm limite nos exíguos espaços para textos, nas redes sociais, e da pressa que têm as pessoas que nelas transitam.
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