sexta-feira, 6 de novembro de 2026
No sítio arqueológico Santa Elina, em Mato Grosso, pesquisadores encontraram placas ósseas de preguiças-gigantes modificadas intencionalmente por seres humanos há aproximadamente 25 mil a 27 mil anos.
O achado representa uma das possíveis evidências mais antigas da presença humana no Brasil.
Publicado em 12 de julho de 2023 na revista Proceedings of the Royal Society B, o estudo analisou três osteodermes, estruturas ósseas que funcionavam como uma armadura natural sob a pele desses animais.
Com microscopia óptica e eletrônica, fotoluminescência e microtomografia com radiação síncrotron, os pesquisadores identificaram perfurações, polimento e marcas de desgaste compatíveis com o uso de ferramentas humanas. As peças provavelmente serviam como adornos pessoais e foram modificadas antes do soterramento e da fossilização.
Santa Elina também preserva ferramentas de pedra, pinturas rupestres e milhares de restos de preguiças-gigantes da espécie Glossotherium phoenesis. Métodos distintos de datação apontaram idades de aproximadamente 25,1 mil e 27 mil anos.
Qual a importância da descoberta?
A datação situa a presença humana no local milhares de anos antes da cultura Clóvis, associada a cerca de 13 mil anos atrás na América do Norte. Embora não determine quando nem por onde os primeiros habitantes chegaram ao continente, o achado reforça as evidências de ocupações anteriores a esse período e contribui para o debate sobre o povoamento das Américas.
📚 Fontes: Royal Society | Pesquisa FAPESP | Smithsonian Institution
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