segunda-feira, 26 de outubro de 2026

O Carrinho de obras de Jacarandá

O Carrinho de obras de Jacarandá foi oferecido por Irineu Evangelista de Sousa ao Imperador Dom Pedro II, em 1852, no início das obras da primeira ferrovia brasileira, no atual estado do Rio de Janeiro. Durante o lançamento das obras da Estrada de Ferro de Petrópolis, destinadas a unir o porto da Estrela na Baía da Guanabara ao pé da Serra do Mar, a uma hora da tarde sob sol forte, Irineu Evangelista de Sousa entregou uma pá de prata ao Imperador Dom Pedro II, pedindo que ele a usasse para começar a encher de terra um carrinho de mão em jacarandá, que mandara fazer para a ocasião. O imperador repetiu a operação três vezes, passando em seguida a pá aos três ministros presentes à cerimónia. Não é difícil imaginar o alcance simbólico de tal gesto, numa sociedade em que nunca ocorreria a um homem de posses levantar-se para ir buscar pessoalmente um copo d'água quando poderia dar a ordem a um escravizado. Os jornais da corte dividiram-se: uns exaltavam o progresso e a modernidade que o ato representava — o Imperador participando do nascimento da era do ferro e do vapor —, enquanto outros o consideravam uma encenação humilhante, "pouco digna de um soberano". Para os mais conservadores, a pá de prata parecia sujar as mãos do trono. Mauá, contudo, sabia o que fazia. Com aquele gesto teatral, inaugurava não apenas uma ferrovia, mas uma nova ideia de Brasil — um país que precisava sujar as mãos para deixar o atraso para trás. Fonte: * Perfil de Instagram: historiaesquecida

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