quinta-feira, 29 de outubro de 2026
Maurício de Nassau e o Brasil Holandês
João Maurício de Nassau-Siegen (1604-1679), nobre calvinista nascido no Castelo de Dillenburg e neto de Jan de Nassau, irmão de Guilherme de Orange, partiu de Texel em 25 de outubro de 1636 e chegou ao Recife em 23 de janeiro de 1637, a serviço da Companhia das Índias Ocidentais (WIC). Os holandeses buscavam açúcar, tabaco e madeira de tinturaria para financiar a Guerra dos Oitenta Anos contra a Espanha.
Governador entre 1637 e 1643, instalou-se na ilha de Antônio Vaz, onde fundou Mauritsstad: drenou terrenos, abriu canais, diques e pontes, e ergueu os palácios de Friburgo e da Boa Vista, jardins botânico e zoológico, um museu natural e um observatório astronômico. Militarmente, conquistou Porto Calvo e estendeu o domínio ao Ceará, Sergipe e Maranhão, mas fracassou no cerco a Salvador (1638). Para suprir a demanda por escravos, tomou Elmina, Luanda e São Tomé.
Patrocinou cientistas e artistas, como Piso, Markgraf, Frans Post, Eckhout e Wagener, autores da Historia naturalis Brasiliae, considerada a mais importante obra científica sobre o Brasil até o século XIX. Também introduziu uma espécie de parlamento e praticou política tolerante.
Divergências com a WIC, que esperava lucros imediatos, levaram-no a deixar o Brasil em maio de 1644. A espoliação dos engenhos portugueses, o desejo de restaurar o culto católico e a expulsão dos holandeses do Maranhão alimentaram a insurreição. Na Europa, foi general de cavalaria, governador de Cleves e de Utrecht e príncipe de Nassau-Siegen. Morreu celibatário, em 1679.
Sérgio Buarque, em Raízes do Brasil, desconstruiu o mito de que o país seria melhor se colonizado pelos holandeses, falando em uma "grandeza de fachada". Evaldo Cabral de Mello mostrou que a "nostalgia nassoviana" vem de antes do século XIX: desde o século XVIII, obras portuguesas eram atribuídas aos flamengos. Citando Southey, concluiu que língua, religião e costumes lusos eram obstáculos insuperáveis, e o Brasil holandês seria apenas um breve parêntese na colonização ibérica.
Referências
* Perfil de origem: Postagem da página do Instagram brasilis_regnum.
* Obras e autores citados no texto:
* Historia naturalis Brasiliae (de Piso, Markgraf, Frans Post, Eckhout e Wagener).
* Raízes do Brasil (de Sérgio Buarque de Holanda).
* Estudos de Evaldo Cabral de Mello e menção a Robert Southey.
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