quinta-feira, 29 de outubro de 2026
Como o café entrou no Brasil escondido
Antes de virar o cafezinho de todo dia, o café entrou no Brasil escondido, e a ordem para esconder ficou registrada por escrito.
Em 1727, a Guiana Francesa, vizinha do Pará, tinha café plantado e uma regra clara: a saída de sementes e mudas era proibida. Foi aí que o governo do Pará mandou o sargento-mor Francisco de Melo Palheta a Caiena, a capital da colônia francesa. O pretexto oficial era resolver uma disputa de fronteira entre portugueses e franceses.
Mas o governador João da Maia da Gama deixou outra tarefa por escrito. Se entrasse em algum quintal ou jardim, Palheta deveria provar alguma fruta como desculpa e tentar esconder alguns grãos de café, "com todo disfarce e com toda cautela".
Deu certo. Palheta voltou a Belém com mais de mil frutos de café e 5 mudas. No relato dele, os frutos foram entregues à Câmara da cidade para serem repartidos entre os moradores.
Conta-se que as mudas foram presente da esposa de Claude d'Orvilliers, o governador francês, e vieram escondidas num buquê de flores.
O detalhe histórico é que, de Belém, o café passou pelo Maranhão e desceu o país. Chegou ao Rio de Janeiro em 1760 e a São Paulo no fim do século 18, pelo Vale do Paraíba. No século 19, as grandes fazendas de café da região dependiam de mão de obra escravizada. Em 1850, o Brasil já era o maior produtor do mundo, com 40% de todo o café.
Mais de 150 anos depois, o país segue no topo e responde por cerca de um terço do café do planeta. Para 2026, a Conab estima uma safra recorde de 67,6 milhões de sacas.
Tudo começou com 5 mudas e uma desculpa para provar fruta.
Quem passava o café na sua casa?
Segue @historiailtda pra ver a história como você nunca viu.
Referências
* Perfil de origem: Postagem da página do Instagram historiailtda.
* Órgão citado: Conab (Companhia Nacional de Abastecimento).
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