terça-feira, 8 de setembro de 2026
Se você pedir um pão francês numa padaria em Paris, ninguém vai entender o que você quer. Aquele pãozinho de casca dourada e miolo branco que está na sua mesa todo dia é invenção brasileira.
Se você pedir um pão francês numa padaria em Paris, ninguém vai entender o que você quer.
Aquele pãozinho de casca dourada e miolo branco que está na sua mesa todo dia é invenção brasileira. Não existe equivalente na França.
E a história de como ele apareceu aqui é boa.
No fim do século 19, o pão do café da manhã brasileiro era outro. Escuro, de casca e miolo tostados, no padrão que os portugueses tinham trazido.
No começo do século 20, ir a Paris pelo menos uma vez por ano virou quase obrigação para a elite brasileira. Quem tinha dinheiro voltava de lá querendo copiar tudo: moda, mobília, hábito de mesa. Inclusive o pão.
Quem voltava contava ao padeiro do bairro como era aquele pão de lá. Alongado, casca dourada e crocante, miolo branco e macio. Nada a ver com o pão escuro que se comia aqui.
E encomendava um igual.
O detalhe é que o padeiro brasileiro nunca tinha visto aquele pão. Trabalhava só com a descrição de quem tinha voltado de viagem. Foi tentando: mexeu na farinha, no tempo de fermentação, no forno.
O que saiu no fim não era o pão da França. Era outra coisa, com identidade própria.
Mas o nome ficou.
Um padeiro francês, dono de duas padarias no norte da França, diz que achar um pão igual ao brasileiro numa padaria de lá é bastante improvável. Existe uma versão parecida, mas aparece em restaurante, e o nome é pistolle.
E tem uma última parte, que é a mais brasileira de todas.
O mesmo pão tem dez nomes diferentes dependendo de onde você está.
Pão francês. Pão de sal na Bahia e em Minas. Cacetinho no Rio Grande do Sul. Carioquinha no Ceará. Pão d'água no Rio Grande do Norte. Pão de jacó em Pernambuco. Filão em São Paulo. E ainda careca, média e pão massa grossa.
Cada lugar jura que o nome certo é o dele.
Na sua região chama pão francês, pão de sal, cacetinho ou outro nome?
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