terça-feira, 22 de setembro de 2026

Mapa do Brasil do Atlas de Sebastião Lopes, 1565. Parte de um atlas náutico de 24 cartas, mantido na Biblioteca Newberry, Chicago, EUA.

A iluminura referente ao pau-brasil da Carta do Brasil no Atlas de Sebastião Lopes, de cerca de 1565, é a mais elaborada da época. A cor vermelha do cerne do pau-brasil também pode ser observada nos tocos e na árvore que o índio está cortando, possivelmente já usando um machado de metal que fora trocado por pau-brasil. O corte do pau-brasil para a obtenção de sua madeira e sua resina (extraída para uso como tintura em manufaturas de tecidos de alto luxo) foi a primeira atividade económica dos colonos portugueses na recém-descoberta Terra de Santa Cruz, no século XVI e que a abundância desta árvore no meio a imensidão das florestas inexploráveis teria conferido à colónia o nome de Brasil. Na realidade, no século XV uma árvore asiática semelhante, Biancaea sappan com o mesmo nome Brasil, já era usada para os mesmos fins e tinha alto valor na Europa, porém era escassa. Os navegadores portugueses que aportaram no atual Brasil imediatamente observaram a abundância da árvore pelo litoral e ao longo dos rios de planície. A resina vermelha era utilizada pela indústria têxtil europeia como uma alternativa aos corantes de origem terrosa e conferia aos tecidos uma cor de qualidade superior. Isto, aliado ao aproveitamento da madeira vermelha na marcenaria, criou uma demanda enorme no mercado. O pau-brasil, teve importância extraordinária na história do Brasil. Importância inclusive simbólica, pois, segundo Frei Vicente, foi por causa do "pau de cor abrasada e vermelha" que o nome Brasil foi dado à terra descoberta, desalojando o de Terra de Santa Cruz – o que, para o franciscano, sinalizava o triunfo do diabo nas plagas desde então brasílicas. O fato é que o comércio do pau-brasil foi sem dúvida, a principal atividade económica desenvolvida pelos portugueses nas terras descobertas por Cabral até cerca de 1530. Sua importância estava na tintura da madeira para manufaturas têxteis européias. Referências: * Perfil de origem: @brasilis_regnum (Instagram) * Fonte cartográfica mencionada: LOPES, Sebastião. Atlas Náutico de Sebastião Lopes (1565). Acervo da Newberry Library, Chicago, EUA. * Citação histórica mencionada: FREI VICENTE DO SALVADOR. História do Brasil (1627).

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