domingo, 27 de setembro de 2026
Índios da Amazônia adorando o Deus-Sol, arte do Francês François Auguste Biard (1860).
Auguste Biard desembarcou no Brasil em 1858 com um objetivo: fazer contato e registrar as populações indígenas brasileiras. Quando chegou por aqui, com 60 anos, já era um artista experiente: estudou na École des Beaux-Arts [Escola de Belas Artes], em Lyon, sua cidade natal. Na década de 1820, transferiu-se para Paris e, atuando como professor de desenho da Marinha, viajou para Espanha, Grécia, Síria e Egito e até Antártida. Ele alcançou fama como artista, tornando-se retratista oficial da corte francesa. Empreendeu viagens pelo mundo registrando povos e costumes e coletando objetos com interesse antropológico.
Com o intuito de encontrar os "habitantes selvagens das florestas", quando chegou ao Brasil, Biard permaneceu por algum tempo no Rio de Janeiro, o suficiente para organizar uma viagem maior até o Pará e o Amazonas. O artista, inclusive, foi convidado a se tornar professor da Academia Imperial de Belas Artes (Aiba), mas recusou o convite. Da viagem à região amazônica, resultou no livro de relatos Deux Années au Brésil [Dois anos no Brasil], publicado em 1862, depois de retornar a Paris. A publicação é ilustrada com gravuras de Edouard Riou com base nos desenhos de Biard.
Da viagem Riou também fez pinturas, como Índios da Amazônia Adorando o Deus-Sol, de 1860, que integra o acervo da Pinacoteca do Estado de São Paulo e está disponível na Brasiliana Iconográfica. Biard não produziu a pintura pela observação direta, mas por meio de relatos contados por pessoas com as quais se encontrou no Amazonas. Em um trecho de Deux Années au Brésil, fez o seguinte comentário: "[O índio] João me contou também que índios habitantes acima das cataratas do Madeira dirigem preces ao sol, como faziam os antigos peruanos".
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