domingo, 30 de agosto de 2026

Em 1940, quando o cangaço já estava em seu fim, Durvalina Gomes de Sá, conhecida como Durvinha, tomou uma decisão que mudaria completamente sua vida.

historiailtda Em 1940, quando o cangaço já estava em seu fim, Durvalina Gomes de Sá, conhecida como Durvinha, tomou uma decisão que mudaria completamente sua vida. Depois da morte de Virgínio, seu primeiro companheiro no cangaço, ela passou a viver com Moreno, Antônio Ignácio da Silva, chefe de um dos subgrupos ligados a Lampião. Com Lampião morto desde 1938 e a perseguição policial ainda presente, o casal decidiu fugir. Na noite de 2 de fevereiro de 1940, trocaram as roupas do cangaço por vestimentas comuns, esconderam munições e o velho mosquetão e partiram. Seguiram pelas margens do rio São Francisco com nomes mudados. Quando perguntavam para onde iam, respondiam que eram romeiros a caminho de Bom Jesus da Lapa. Durvinha carregava também uma separação dolorosa. Em 1938, ela havia dado à luz Inácio. Como a vida errante dificultava criar a criança, o casal o deixou aos cuidados do cônego Frederico Oliveira Araújo, em Tacaratu, Pernambuco. Depois de chegar a Minas Gerais, Moreno e Durvinha reconstruíram a vida. Os filhos que tiveram em Minas cresceram conhecendo os pais como Jovina Maria da Conceição e José Antônio Souto. Eles não sabiam quem os pais haviam sido. Segundo a revista Senatus, do Senado Federal, o casal manteve o passado no cangaço em segredo por cerca de 66 anos. Nem os próprios filhos sabiam. Somente em 2005, já idoso e acreditando que poderia morrer, Moreno decidiu contar a verdade. Durvinha inicialmente resistiu, mas acabou concordando. A família descobriu então que aqueles dois idosos haviam vivido no cangaço ligado a Lampião. E ainda havia outra revelação. Os filhos começaram a procurar Inácio, o menino deixado em Tacaratu. Ele foi localizado no Rio de Janeiro. Em 5 de novembro de 2005, Inácio reencontrou os pais e conheceu os irmãos em Belo Horizonte. Uma história escondida durante quase uma vida inteira havia finalmente voltado à tona. Você imaginava que uma cangaceira ligada a Lampião viveu décadas em Minas sem que nem os próprios filhos soubessem?

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