terça-feira, 25 de agosto de 2026

A Revolução chega à Bahia: A Conjuração Baiana

A Revolução chega à Bahia: A Conjuração Baiana* "Em 1792, autoridades portuguesas descobriram um suposto plano jacobino francês para "republicanizar" a colônia americana de Portugal, num momento em que as ideias iluministas e republicanas da Revolução Francesa já preocupavam Portugal e o Brasil. Em 1796, o comandante francês Antoine René Larcher chegou à Bahia e foi bem recebido pela elite baiana, entre a qual havia jovens radicais e entusiastas das ideias francesas. Larcher fundou, em 1797, a loja maçônica Cavaleiros da Luz, apontada como possível centro articulador da futura Conjuração Baiana embora não haja provas definitivas disso. A presença de maçons na Bahia, porém, já era registrada desde cerca de 1760. Em 1798, temores do governador Fernando José de Portugal e Castro se confirmaram: eclodiu a Conjuração Baiana (ou Revolta dos Búzios), liderada por figuras como o maçom Cipriano Barata, mas sem o apoio francês esperado, o que levou ao fracasso do movimento. A revolta pedia independência, formação de uma república e o fim da escravidão. Os quatro líderes identificados Luís Gonzaga dos Virgens, João de Deus do Nascimento, Lucas Dantas e Manuel Faustino, todos mulatos e pobres foram presos junto com outras 36 pessoas. Um segundo grupo, de elite branca (incluindo Cipriano Barata), não foi processado. Dos julgados, 17 foram absolvidos, quatro presos, oito exilados para a África, dois escravizados vendidos, e cinco condenados à morte dos quais quatro foram enforcados publicamente em 8 de novembro de 1799. O episódio, junto com a Inconfidência Mineira e a prisão de Hipólito da Costa, alimentou entre autoridades portuguesas a suspeita de uma conspiração maçônica mais ampla para insurreição no Brasil. Cipriano Barata seguiu atuando politicamente nas décadas seguintes: apoiou revolucionários pernambucanos em 1817, foi deputado radical nas Cortes de Lisboa em 1821, exilou-se na Inglaterra, entrou em conflito com D. Pedro I, foi preso várias vezes e fundou o primeiro jornal republicano do Brasil, o "Sentinela da Liberdade"."

Nenhum comentário:

Postar um comentário