domingo, 30 de agosto de 2026
Quando o Brasil criou a primeira escola para formar professores, mulher não podia entrar.
Quando o Brasil criou a primeira escola para formar professores, mulher não podia entrar.
Era 1835, em Niterói, na então Província do Rio de Janeiro. A Escola Normal foi criada por decreto e servia para habilitar quem quisesse dar aula no ensino primário. Curso de nível secundário, o equivalente ao ensino médio de hoje.
Restrita a homens e brancos.
E foi um fracasso completo. Durou 4 anos, formou 14 alunos, e 3 deles nunca deram aula.
O motivo era simples. O salário era baixo, a profissão não tinha prestígio nenhum e quase ninguém se interessava. As escolas normais que foram abrindo pelo país iam fechando por falta de aluno.
Foi aí que abriram as portas para as mulheres.
E os pesquisadores que estudam o assunto são diretos sobre o porquê. De um lado, o magistério era a única profissão que a sociedade da época aceitava para a mulher, porque parecia uma extensão do papel doméstico que já esperavam dela. De outro, o magistério feminino resolvia a falta de mão de obra numa escola primária que os homens não queriam por causa da remuneração reduzida.
Traduzindo: a porta abriu porque homem nenhum queria o emprego.
Elas entraram assim mesmo.
Já nos anos finais do Império as mulheres eram a maioria das matrículas. Na virada para a República, as escolas normais tinham virado espaços essencialmente femininos.
Foram elas que alfabetizaram o Brasil pelos 100 anos seguintes.
A Escola Normal só deixou de existir como instituição própria em 1971, quando virou apenas uma habilitação dentro do 2º grau.
Se você tem mais de 40 anos, a mulher que te ensinou a ler quase certamente saiu de uma dessas escolas.
Você lembra o rosto dela?
Segue @historiailtda pra ver a história como você nunca viu.
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