terça-feira, 8 de setembro de 2026

Muito antes de o termo "crossover" virar moda na música, um homem nascido em Nova Friburgo (RJ) operou uma das maiores revoluções estéticas da nossa MPB.

Muito antes de o termo "crossover" virar moda na música, um homem nascido em Nova Friburgo (RJ) operou uma das maiores revoluções estéticas da nossa MPB. Uday Vellozo, que o Brasil e o mundo aprenderam a reverenciar como Benito Di Paula, pegou o piano, tradicionalmente visto como um instrumento erudito ou do jazz, e o colocou para dialogar diretamente com o tamborim, o pandeiro e o surdo. O resultado? Uma sonoridade única, melódica e intensamente percussiva que embalou os anos 1970 e 1980, criando a era de ouro do chamado "samba-joia". Benito conseguiu unir a sofisticação harmônica ao gosto popular de um jeito que poucos conseguiram. Quem nunca se pegou cantando "Mulher Brasileira", sorrindo com "Tudo Está no Seu Lugar" ou sentindo aquele aperto no peito com a poesia dilacerante de "Retalhos de Cetim"? E o que dizer de "Charlie Brown", que levou as belezas e contradições do nosso país para o exterior através de um bate-papo fictício com o personagem dos quadrinhos. Hoje, ostentando uma trajetória brilhante e uma vitalidade invejável, Benito continua provando que a boa música não tem prazo de validade. Ao lado de seu filho, o também talentoso pianista Rodrigo Vellozo, ele segue cruzando palcos e lançando projetos que mantêm acesa a chama de sua inventividade. Benito Di Paula não é apenas um hitmaker do passado; ele é um monumento vivo da nossa cultura, o mestre que nos ensinou que o samba também se toca com as teclas pretas e brancas de um piano. 📝|Por: Aliomar Medeiros

Nenhum comentário:

Postar um comentário