terça-feira, 8 de setembro de 2026
Em 1904, uma fotografia feita no Congo registrou uma das cenas mais perturbadoras das atrocidades cometidas durante o regime de Leopoldo II da Bélgica.
Em 1904, uma fotografia feita no Congo registrou uma das cenas mais perturbadoras das atrocidades cometidas durante o regime de Leopoldo II da Bélgica.
O homem na imagem era Nsala de Wala, um congolês que vivia na região de Wala, então parte do Estado Livre do Congo, território controlado pessoalmente pelo rei Leopoldo II. Foi sob seu governo que se consolidou um brutal sistema de exploração da borracha, baseado na concessão de enormes áreas a empresas privadas e na imposição de cotas às populações locais.
Uma dessas empresas era a ABIR, responsável pela exploração da região onde Nsala vivia. As comunidades eram obrigadas a cumprir metas de produção e, quando não entregavam a quantidade exigida, podiam sofrer violência, ter familiares feitos reféns ou ser assassinadas.
Segundo os relatos registrados por missionários, homens armados ligados à companhia chegaram à aldeia antes da data prevista para a entrega da borracha. Como a cota ainda não estava pronta, atacaram os moradores. Entre as vítimas estavam a esposa de Nsala, sua filha Boali, de apenas cinco anos, e um menino chamado Esanga.
Os relatos afirmam que os corpos foram mutilados e que partes deles foram posteriormente cozidas e comidas pelos integrantes da milícia. Nsala conseguiu recuperar secretamente a mão e o pé de sua filha e levou os restos até uma missão em Baringa.
No dia seguinte, 14 de maio de 1904, a missionária e fotógrafa Alice Seeley Harris registrou a cena.
A fotografia não mostra o assassinato. Mostra um pai contemplando os restos da própria filha.
Imagens como essa ajudaram a revelar ao mundo a brutalidade de um sistema implantado sob o domínio de Leopoldo II: trabalho forçado, violência, mutilações, assassinatos e tomada de reféns em nome da extração da borracha.

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