terça-feira, 8 de setembro de 2026
Os sepulcros caiados da "defesa" do patrimônio histórico Diz-nos Gilberto Freyre: “O que do Brasil antigo nos resta hoje de pé está de pé por milagre.
Os sepulcros caiados da "defesa" do patrimônio histórico
Diz-nos Gilberto Freyre: “O que do Brasil antigo nos resta hoje de pé está de pé por milagre. O gosto da antiguidade entre nós parece limitar-se a alguns senhores de fraque discutindo no Instituto Arqueológico o heroísmo republicano de Bernardo Vieira de Melo” (Tempos de aprendiz: artigos numerados (34), publicado em 09 de dezembro de 1923, pág. 323-324).
Não entrarei no mérito dos aventureiros envolvidos na empreitada, no sentido de caráter. Desta pena jamais sairão ofensas diretas aos preclaros luzeiros do atual clero paraibano. Se, contudo, caminham na contramão do que sempre foi a histórica arquidiocese com 132 anos de existência, aí caros leitores, deverão responder diante do justo juíz.
Causa certa espécie que toda a imprensa paraibana olhe sempre para qualquer ação no Centro Histórico como benéfica. Parecem tratar a parte mais antiga da Capital como tratam de ajudar um pedinte, naturalmente, sem qualquer consciência adequada, fazendo a caridade apenas por pose ou peso na consciência.
É entristecedor assistir o desamor para com um prédio erguido à custa de tantos esforços católicos do passado no sentido de transmutar o colégio diocesano num celeiro de vocações, numa casa respeitabilíssima de ensinos correntes ao bem comum, a verdade e a salvação da alma. Que virá agora? Um hotel de luxo. Os senhores mais atentos bem sabem a resultabilidade destas casas no dorso da quase sempre, para não dizer sempre, imoral elite brasileira.
"Vai valorizar o turismo", dizem. Nesse compasso, não demorarão para transformar a Catedral e o Mosteiro de Santo Antônio em belíssimas cafeterias, uma a moda neoclássica e a outra a boa e velha moda barroca.
Que velhacos laicistas imaginem um antigo colégio diocesano como hotel, tudo bem. Difícil é quando tomam alguma decisão acertada. Mas tanta conveniência da parte de quem deveria alertá-los para o absurdo? De doer os córneos da vista e triturar ao máximo as boas cordas do cérebro.
Revitalizar e destruir são coisas distintas. Foi-se o Colégio das Neves, vai-se agora o Pio XII. Quanto tempo até que outras "benéficas" alterações corram por aí?
Deus nos perdoe.
Referência da Publicação de Origem:
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