terça-feira, 8 de setembro de 2026
Dona Leopoldina e a Independência do Brasil Maria Leopoldina da Áustria (1797-1826), arquiduquesa da Casa de Habsburgo, tornou-se a Princesa Real do Brasil ao se casar com Dom Pedro I em 1817
Dona Leopoldina e a Independência do Brasil
Maria Leopoldina da Áustria (1797-1826), arquiduquesa da Casa de Habsburgo, tornou-se a Princesa Real do Brasil ao se casar com Dom Pedro I em 1817. A união, negociada pelo Marquês de Marialva, atendia a interesses de ambos os impérios: Dom João VI buscava reduzir a influência inglesa em seus domínios, enquanto a Áustria via no Reino Unido de Portugal e Brasil um aliado transatlântico alinhado aos ideais da Santa Aliança.
Apaixonada pelas ciências, Leopoldina trouxe consigo a Missão Austro-Alemã com destaque para os naturalistas bávaros Spix e Martius que, ao lado da mais conhecida Missão Artística Francesa, teve papel fundamental no estudo da fauna e flora brasileiras. Sua influência também resultou na criação do Museu Real, atual Museu Nacional.
Com o retorno da corte a Portugal em 1821, Leopoldina permaneceu ao lado de Dom Pedro e passou a defender abertamente a causa emancipacionista, antecipando-se ao próprio marido nessa convicção. Suas cartas revelam intensa atuação política: instou Pedro a permanecer no Brasil e defendeu, em correspondência com o pai, a impossibilidade de o país continuar como colônia. Historiadores contemporâneos resgatam justamente essa atuação decisiva, contrapondo-se à imagem tradicional de imperatriz passiva e melancólica.
Após a proclamação da Independência em 1822, Leopoldina também trabalhou diplomaticamente pelo reconhecimento internacional do novo império, pressionando pai e sogro até a assinatura do tratado de reconhecimento por Portugal em 1825.
O casamento foi marcado por sofrimento: o relacionamento público de Dom Pedro com a Marquesa de Santos humilhou profundamente a imperatriz. Ainda assim, Leopoldina deixou marcas duradouras incentivou a imigração alemã (originando Nova Friburgo), praticou atos de caridade, incluindo a alforria de escravizados, e teve grande popularidade entre o povo brasileiro.
Morreu em dezembro de 1826, dias após dar à luz seu último filho, o único herdeiro homem de Pedro I a sobreviver à infância. Seus restos mortais repousam hoje na Capela Imperial, no Ipiranga.
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Fontes Históricas e Acadêmicas de Referência:
KANN, Bettina; LIMA, Patricia Souza (Orgs.). D. Leopoldina: Cartas de uma Imperatriz. São Paulo: Estação Liberdade, 2006.
REZZUTTI, Paulo. D. Leopoldina: A história não contada: A mulher que arquitetou a independência do Brasil. São Paulo: Leya, 2017.
OBERACKER JR., Carlos H. A Imperatriz Leopoldina: Sua Vida e Sua Época. Rio de Janeiro: Conselho Federal de Cultura, 1973.
PRANTL, Rosa. A Missão Científica Austro-Alemã e a Formação das Coleções do Museu Nacional. Rio de Janeiro: Editora UFRJ, 2001.


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